Amigos vendem brigadeiros para ajudar estudante de medicina a pagar a faculdade

(dv) Karina Novais / Hypeness

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Sonhos começam quando a gente menos espera e o de Karina Novais, que hoje tem 23 anos, começou aos 8, quando ela foi diagnosticada com apendicite. Ao ser tratada e operada por uma médica chamada “Dra. Ana”, ficou tão impressionada com o quanto aquela figura feminina lhe pareceu poderosa, que teve certeza de que também queria fazer o mesmo pelas pessoas um dia.

Foi ali que nasceu o sonho de se tornar médica.

Karina – que tem duas irmãs – não pertence a uma família abastada, seu pai sempre gerenciou um estacionamento e a mãe é professora de ensino fundamental.

Por conta da profissão da mãe, por alguns anos, conseguiu estudar como bolsista no colégio particular em que ela leciona, mas a maior parte de sua vida como estudante foi mesmo em escolas públicas.

Sendo assim, ela não teve o mesmo preparo da maioria das pessoas que almejam uma vaga em uma faculdade de medicina, mas seu sonho permaneceu bem vivo.

Sem nenhum médico na família nem ideia do que era o mundo dos vestibulares e cursinhos, quando adolescente Karina começou a acompanhar sua prima enfermeira ao hospital e ficou ainda mais fascinada pelo universo da medicina.

Quando esta mesma prima, Fabiana, que faleceu com apenas 26 anos vítima de um câncer, ela teve ainda mais certeza de que tinha que ser médica.

Infelizmente, quando concluiu o ensino médio em 2011, prestou vestibular e percebeu que seu sonho estava bem longe de sua realidade. Ficou dois anos fazendo cursinho e, embora tivesse evoluído bastante, ainda não era o suficiente para conseguir uma vaga.

“A vida de cursinho é muito exaustiva fisicamente, intelectualmente e emocionalmente e por isso, em 2013, decidi que na prova da FUVEST prestaria para enfermagem”, disse.

“Fui aprovada e isso trouxe tanta felicidade em minha família que acabei me matriculando. Foi incrível, passei um ano de muito aprendizado profissionalmente e como pessoa também, porém, continuei dividindo meu tempo da faculdade com um cursinho noturno para tentar medicina pela última vez“, contou.

No final daquele ano, ela prestou vestibular para medicina pela última vez conforme havia prometido a si mesma e foi selecionada para a segunda fase.

“Isso mudou totalmente o rumo das coisas, tive esperança de novo e, mesmo adorando a enfermagem, a grande oportunidade apareceu. Tranquei o curso na USP e voltei para o cursinho, desta vez o Poliedro”, afirma.

“Dediquei-me como nunca, afinal era essa minha última tentativa. Lá eu vi que concorria com pessoas que se prepararam a vida toda em escolas de excelência, outros que já tinham anos de cursinho, outros já até graduados! Mas não desisti“, conta.

No entanto, mais uma frustração estava em seu caminho, pois quando chegou o período de provas, ela novamente não foi aprovada, mesmo tendo conseguido bons resultados.

Bastante desanimada, ficou sabendo que a Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), abriria um novo campus (o Bela Vista) e haveria um novo vestibular. No entanto, nesse momento sua família passava por sérios problemas financeiros.

Seus pais precisaram assumir uma dívida enorme com o banco quando aceitaram ser avalistas de um financiamento de um conhecido. A dívida comprometeu todos os recursos da família, incluindo salários de cada um dos membros da casa e esta questão não foi sanada até agora.

Mesmo assim, ela decidiu pedir ajuda de uma tia para se inscrever no vestibular e fez a prova. Para felicidade de todos ela finalmente passou! Mas então, junto com a euforia de ver seu sonho quase se realizando, começava outro grande problema: como pagar pelos estudos? Sim, a universidade mesmo sendo municipal, é paga.

“Tive todo o apoio familiar – mesmo cientes do que estaria por vir financeiramente – e desde o primeiro ano nos acertamos como deu: vendi brigadeiros na faculdade, fizemos barracas de doces em festas, minha mãe vendeu pão caseiro e meu pai fazia Uber nas horas vagas”, explica.

“Depois, veio o segundo ano e junto com ele mais desafios. O único carro da casa foi roubado e o terreno em que meu pai tem estacionamento – e de onde vem a maior renda da família há 14 anos – foi requerido de volta pela dona da propriedade. Com o primeiro semestre deste ano já inadimplente, ficou impossível fazer a rematrícula e eu terei que trancar o curso inevitavelmente’, diz.

Sabendo sobre o quanto Karina se dedica aos estudos e realmente sonha em se tornar médica mais do que tudo na vida, seus colegas de curso, amigos e primos, organizaram uma campanha chamada #VamosDraKarina.

Para ajudá-la a arrecadar dinheiro para a rematrícula, eles têm percorrido lugares de bastante movimento em São Paulo para vender brigadeiros e pedir doações.

“Hoje parece ser o simples sonho de uma estudante em terminar o curso e se formar, mas o objetivo real desde desejo beneficia muito mais pessoas. Uma médica como a Karina no mundo é benéfica para toda comunidade. Ela é alguém consciente do quanto as pessoas precisam de uma medicina humanizada, de alguém que trate pessoas carentes com respeito, com atenção“, diz o primo Renan Lima, um dos mais engajados na campanha.

A Avenida Paulista aberta para a população aos domingos, tem sido um excelente ponto de venda para a turma. Karina também tem se juntado ao grupo e, as pessoas abordadas, logo que sabem da história da estudante, ficam felizes em comprar os brigadeiros para colaborar.

Uma vakinha online também está ativa para que qualquer pessoa possa ajudá-la a prosseguir com o sonho de se tornar médica e um dia fazer a diferença na vida de muitas pessoas.

#VamosDraKarina!

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