Anistia Internacional denuncia mais de 100 mortes em protestos no Irã

STR

ONG relata uso de munição real contra manifestantes e diz que total de mortos pode ser ainda maior. Presidente e líder supremo dizem que país teve êxito ao lidar com distúrbios provocados por inimigos externos.

A ONG Anistia Internacional (AI) denunciou nesta terça-feira (20/11) que ao menos 106 pessoas morreram nos atuais protestos contra o governo no Irã e alertou que o número de vítimas fatais pode ser ainda maior.

O governo iraniano não divulgou o número de pessoas presas, feridas ou mortas nos protestos iniciados na última sexta-feira, que se espalharam para mais de 100 cidades pelo país e cujo estopim foi um aumento de mais de 50% no preço da gasolina.

Teerã questionou os números divulgados pela AI, afirmando se tratar de “alegações sem fundamento e dados fabricados”. A ONG, entretanto, disse que se baseia em “relatos confiáveis” e alertou que “o número real de mortos pode ser bem mais alto, com alguns relatos sugerindo que até 200 pessoas tenham sido mortas”.

A Anistia disse que colheu dados de jornalistas e ativistas dos direitos humanos e que verificou as informações com fontes diferentes. “Imagens de vídeo mostram as forças de segurança utilizado armas de fogo, canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar os protestos e agredindo manifestantes com cassetetes“, afirma a AI.

“Imagens de cartuchos de balas deixados pelo chão, além do alto número de mortos, indicam que eles usaram munições reais”, diz a ONG.

A AI menciona testemunhas oculares que corroboraram o que foi visto nas imagens de vídeo e afirma que atiradores de elite posicionados em telhados de edifícios e, em um dos casos, em um helicóptero, abriram fogo contra a multidão. Órgãos oficiais e semioficiais de imprensa contabilizaram apenas seis mortes até o momento.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnur) divulgou um comunicado expressando “profunda preocupação” com os relatos sobre a ação das forças de segurança nos protestos.

“Estamos especialmente alarmados com o uso de munição real contra os manifestantes, o que, supostamente, teria causado um número significativo de mortes pelo país”, disse o porta-voz do Acnur, Rupert Colville, em nota.

Por sua vez, o porta-voz da missão do Irã na ONU, Alireza Miryousefi, disse que os dados sobre as mortes são “especulativos e não confiáveis, e em muitos casos, parte de uma campanha de desinformação realizada contra o Irã de fora do país”, que ele atribui a “entidades ocidentais tendenciosas”.

As autoridades iranianas bloquearam o acesso à internet no país de 80 milhões de habitantes, deixando a divulgação das informações nas mãos da imprensa estatal e autoridades do governo.

A televisão estatal mostrou imagens de Alcorões queimados em uma mesquita e manifestações pró-governo, como parte de um esforço para demonizar os protestos e demonstrar apoio por parte da população.

A imprensa estatal, entretanto, não mencionou o aumento da gasolina que gerou as manifestações em todo o país e se tornou mais um fardo pesado para os iranianos. A população sofre as consequências do colapso da moeda nacional, o rial, e do fracasso do acordo nuclear entre o país e potências internacionais (Alemanha, China, EUA, França, Reino Unido, Rússia e União Europeia), após os Estados Unidos decidirem abandonar o tratado e reimpor pesadas sanções econômicas ao Irã.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, assegurou que o aumento no preço da gasolina teria como objetivo fomentar novos subsídios que deveriam ser concedidos às famílias mais pobres do país. Mesmo assim, a decisão gerou uma onda de revolta em meio à população, no país que possui a quarta maior reserva de petróleo bruto do mundo.

Autoridades iranianas responsabilizam grupos “antirrevolucionários” de fora do país pelos protestos, como os descendentes e apoiadores do antigo xá Reza Pahlavi – deposto pela Revolução Islâmica em 1979 – e o grupo opositor Muyahidin Jalq. Os Estados Unidos, Israel e a Arábia Saudita também são acusados de estarem por trás dos distúrbios.

Nesta quarta-feira, Rohani declarou vitória sobre os protestos. “O povo iraniano mais uma vez saiu vitorioso em um teste histórico e demonstrou que não deixa que os inimigos se beneficiem da situação, mesmo que possam ter queixas sobre a administração do país”, disse o presidente em pronunciamento transmitido pela emissora estatal Irib.

O líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, disse nesta terça-feira que os protestos eram uma questão de segurança, e não um movimento popular, e que o governo teve êxito ao lidar com os distúrbios.

// DW

COMPARTILHAR

DEIXE UM COMENTÁRIO:

Viagem tripulada a Marte seria melhor com passagem por Vênus, afirmam astrônomos

De acordo com cientistas norte-americanos, cálculos das órbitas entre a Terra e Marte os levaram a concluir que tais viagens seriam mais rápidas, eficientes, e permitiriam estudar os dois planetas. Uma viagem da Terra a Marte …

EUA: Suprema corte autoriza a divulgação de documentos financeiros de Trump

A Suprema Corte dos Estados Unidos impôs uma grande derrota a Donald Trump, ao decidir que um procurador de Nova York tem direito de acesso a vários documentos financeiros do presidente, incluindo declarações de …

O fenômeno "água morta", observado a mais de cem anos, é finalmente explicado

Finamente uma equipe com especialistas de múltiplas áreas CNRS e da Universidade de Poitiers, ambas na França, decifrou a misteriosa ocorrência pela primeira vez. O estranho é fenômeno que desacelera navios ou faz que eles parem …

Pode mesmo haver vida nas nuvens de Vênus, dizem cientistas

Quem gosta de astronomia não deve saber que Vênus não é o mais habitável dos planetas. Com temperaturas em torno de 470ºC e com uma atmosfera formada por dióxido de carbono e nitrogênio noventa vezes …

Cientistas rebatem decisão da China de coletar DNA de homens e meninos

Um relatório que revelou que a China está coletando DNA de milhões de pessoas para ajudar a solucionar crimes. Essa informação tem levantado preocupações entre os pesquisadores sobre privacidade e consentimento, sob o argumento de que …

China revela análise de substância estranha encontrada na Lua em 2019

Em julho de 2019, a equipe da missão chinesa Chang'e 4 encontrou uma substância estranha na Lua. A descoberta foi anunciada em agosto do mesmo ano, chamando a atenção da comunidade científica, mas nada foi …

Cientistas alertam OMS para transmissão aérea do coronavírus além de dois metros

A transmissão aérea do novo coronavírus interpela os especialistas desde o início da pandemia. Nessa segunda-feira, um grupo de 239 cientistas alertou as autoridades de saúde do mundo inteiro, e em particular a OMS, …

Governo tem que tirar garimpeiros de terras yanomami em 15 dias para começar a enfrentar covid-19 em áreas indígenas

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou que o Governo Federal deveria retirar os garimpeiros das terras yanomami de Roraima como medida para conter o avanço do novo coronavírus nos territórios indígenas. A decisão liminar …

Encontrada a origem da vida no universo

Uma estrela morre por segundo no universo. Mas esses objetos estelares não somem totalmente, algo sempre fica para trás. Certas estrelas entram em supernova, que geram um buraco negro ou uma estrela de nêutrons, enquanto a …

Bolsonaro afirma que está com covid-19

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (07/07) que seu exame para detectar a covid-19 teve resultado positivo. Bolsonaro, de 65 anos, se submeteu ao exame na segunda-feira, após dizer que estava sentindo sintomas leves da …