Asteroide que dizimou dinossauros determinou sucesso das cobras, aponta estudo

As cobras devem seu sucesso na Terra, em parte, ao asteroide que atingiu o planeta há 66 milhões de anos e levou à extinção dos dinossauros, de acordo com um estudo publicado nesta terça-feira (14/9) na revista científica Nature Communications.

O impacto desta colisão provocou terremotos, tsunamis e incêndios florestais, além de uma década de escuridão por conta de nuvens de cinzas que bloquearam o sol. Tudo isso levou ao fim estimado de 76% dos animais e plantas.

Mas, segundo os autores da pesquisa recém-publicada, algumas cobras sobreviventes foram capazes de prosperar em um mundo pós-apocalíptico, se abrigando no subsolo e passando longos períodos sem comida.

Estes répteis resilientes conseguiram então se espalhar por todo o globo, e sua evolução nos trouxe às 3 mil ou mais espécies conhecidas hoje.

Alguns mamíferos, pássaros, sapos e peixes também foram capazes de sobreviver aos tempos pós-asteroide.

“Neste ambiente de colapso das cadeias alimentares, as cobras conseguem sobreviver e prosperar, e são capazes de colonizar novos continentes e interagir com o ambiente de novas maneiras”, explicou a líder da pesquisa, Catherine Klein, da Universidade de Bath, na Inglaterra.

“É provável que, sem o impacto do asteroide, elas não estivessem onde estão hoje.”

Quando o asteroide atingiu o que hoje é o território do México, as cobras eram muito parecidas com as que conhecemos hoje: sem pernas e com mandíbulas alongadas para engolir presas.

Com poucos alimentos à disposição, elas conseguiam sobreviver sem comida por até um ano e caçar em meio à escuridão. As espécies de cobras que sobreviveram foram principalmente aquelas que viviam no ambiente subterrâneo, no solo das florestas ou em água doce.

Sem muitos animais para competir, elas tiveram um caminho aberto para evoluir com diversas ramificações e alcançar novos habitats e tipos de presas. Isso permitiu que se espalhassem por todo o mundo, chegando à Ásia pela primeira vez, e que sua diversidade aumentasse.

Eventos determinantes para a eliminação de espécies em um curto espaço de tempo, como a queda do asteroide, ocorreram poucas vezes na história do planeta.

Nick Longrich, também da Universidade de Bath, diz que, nos períodos logo após as grandes extinções, a evolução chega à “sua forma mais selvagem, experimental e inovadora”.

O estudo também encontrou evidências de um segundo pico na evolução das cobras, quando o planeta deixou de ser como uma quente estufa e passou a ter um clima mais frio, levando à formação de calotas polares e o início da era do gelo.

O sucesso das cobras é importante para a saúde dos ecossistemas como um todo, já que elas controlam as populações de presas e ajudam os humanos no controle de pragas. Depois de tanto prosperar na Terra, porém, a convivência com o homem está deixando muitas espécies de cobras sob risco de extinção.

// BBC

COMPARTILHAR

DEIXE UM COMENTÁRIO:

Carro voador da NASA levanta voo pela primeira vez; veja como foi

A NASA anunciou que os testes com o eVTOL (veículo elétrico voador com decolagem vertical) mais promissor do mercado foram bem-sucedidos. Desenvolvido pela Joby Aviation, o carro voador experimental realizou uma série de procedimentos para coleta …

Mudanças climáticas: cientistas treinam vacas para usar banheiro contra aquecimento global

Vacas podem ser treinadas para usar um banheiro para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, segundo uma experiência realizada na Alemanha por pesquisadores alemães e da Nova Zelândia. No estudo, os cientistas treinaram os …

Reprovação a Bolsonaro volta a subir, afirma Datafolha

O Instituto Datafolha apurou que a reprovação ao governo do presidente Jair Bolsonaro aumentou ainda mais, passando para 53% entre as pessoas consultadas, segundo uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (17/02) pelo jornal Folha de S. …

Empresa norueguesa assegura que pode 'eliminar' furacões antes que se tornem destrutivos

Especialistas ambientais advertem que o sistema de cortina de bolhas proposto pela empresa poderia ela própria provocar efeitos indesejados. A OceanTherm, startup norueguesa, assegura que sua tecnologia pode evitar que as tempestades tropicais se tornem poderosos …

Limitar aquecimento global a 1,5ºC exige redução drástica de gases poluentes, mostra relatório

Manter a temperatura da Terra a 1,5°C será impossível sem uma redução massiva das emissões de gases poluentes. É o que mostra um novo relatório divulgado pela ONU nesta quinta-feira (16). O documento "United …

Alemanha libera entrada para brasileiros que apresentem teste negativo

A Alemanha vai deixar de considerar o Brasil como área de alto risco na pandemia do novo coronavírus a partir deste domingo, anunciou nesta sexta-feira (17/09) o Instituto Robert Koch (RKI), a agência governamental alemã …

Assembleia-Geral da ONU: exigência de vacina ainda não está decidida, mas é improvável que Bolsonaro seja barrado

Perdeu força a possibilidade de que líderes de países tenham que comprovar que se vacinaram contra a covid-19 para participar da 76ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontece na semana que vem …

Submarinos: França perde o "contrato do século" para a Austrália, que opta por EUA e Reino Unido

O jornal econômico Les Echos estampa em sua primeira página desta quinta-feira (16) uma notícia, ainda no condicional, que se concretizaria durante a madrugada: "A Austrália desiste de uma encomenda de 12 submarinos franceses …

VSR: o pouco conhecido vírus que se espalha entre crianças no mundo e também no Brasil

No início de 2021, a equipe do Hospital Infantil de Maimonides, no Brooklyn, em Nova York (EUA), começou a experimentar uma cautelosa sensação de alívio. Os casos de covid-19 na cidade estavam em queda. Como …

Com popularidade em queda, premiê britânico Boris Johnson reforma equipe de governo

Após semanas de boatos, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, decidiu modificar o governo nesta quarta-feira para formar uma "equipe unida" e enfrentar os desafios depois de um ano e meio de pandemia e em …