Dezenas de pessoas morreram, incluindo crianças, e 35 ficaram feridas nesta quinta-feira (9) durante os ataques aéreos que atingiram um mercado movimentado e um ônibus no norte do Iêmen, de acordo com líderes tribais.
Os responsáveis tribais culpam a coligação liderada pela Arábia Saudita pelos ataques que atingiram a zona de um mercado muito movimentado em Dahyan, na província de Saada, um reduto dos rebeldes xiitas conhecidos como Huthis.
A coligação não comentou os ataques no norte do Iêmen. Os líderes tribais falaram à imprensa sob condição de anonimato por medo de represálias.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC), através de uma mensagem no Twitter, indicou que um hospital apoiado pela organização recebeu dezenas de mortos e feridos.
Mais tarde, um hospital da província de Saada apoiado pelo Comitê “recebeu os corpos de 29 crianças com menos de 15 anos e 48 feridos, dos quais 30 crianças”, anunciou a organização no Twitter, sem detalhar a natureza do ataque.
Na capital do Iêmen, Sanaa, a televisão Al Masirah, controlada pelos rebeldes, informou que o ataque matou 39 pessoas e feriu outras 51, principalmente crianças.
Um porta-voz da CICV na capital, Sana, também sob controle dos Houthis, preveniu que o balanço não era definitivo, porque as vítimas tinham sido transportadas para hospitais diferentes.
A agência de notícias francesa diz que dezenas de pessoas morreram quando um ônibus que levava crianças foi atingido perto de um mercado em Dahyan, na província de Saada.
Ataque foi “operação militar legítima”
A coligação liderada pela Arábia Saudita definiu o ataque aéreo no norte do Iêmen como uma “operação militar legítima“. Segundo o ICRC, o ataque provocou dezenas de mortos, incluindo crianças, na maioria menores de 10 anos.
“O ataque na província de Saada é uma operação militar legítima contra indivíduos que dispararam um míssil em direção à cidade [saudita] de Jizan, provocando um morto e feridos entre os civis”, indicou em comunicado a coligação que intervém no Iêmen desde 2015 em apoio ao governo reconhecido pelas instâncias internacionais
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, apelou à realização de um inquérito independente à morte de dezenas de crianças, ocorrida quando o ônibus que as transportava foi atacado no norte do Iêmen.
Guterres “apelou a um inquérito rápido e independente” e exortou todas as partes para se esforçarem “em poupar os civis (…) durante a realização de operações militares”, indicou, em comunicado um porta-voz da ONU, Farhan Haq.
A guerra no Iêmen já provocou mais de 10 mil mortos desde a intervenção da coligação em março de 2015, e segundo a ONU originou a “pior crise humanitária” no mundo.
Ciberia, Lusa // ZAP