Édouard Philippe, premiê francês, pede demissão e deixa cargo após três anos

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Macron nomeia conservador Édouard Philippe como primeiro-ministro da França

O primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, apresentou sua demissão nesta sexta-feira (3) ao presidente Emmanuel Macron, que aceitou o pedido. O anúncio foi feito nesta manhã pela assessoria do palácio do Eliseu, a sede da presidência francesa.

O premiê continuará à frente do cargo até a nomeação do novo primeiro-ministro, que pode acontecer nas próximas horas.

Os preparativos para a posse do novo premiê começaram de manhã no palácio de Matignon, onde fica o gabinete do primeiro-ministro. Um tapete vermelho e microfones foram instalados.

Segundo o Eliseu, durante uma conversa nesta quinta-feira (2), o presidente da República e o primeiro-ministro chegaram à conclusão “de que havia necessidade de formar um novo governo para entrar em uma nova etapa do quinquenato“, anunciou a presidência, em referência aos cinco anos de mandato de Macron. O chefe de Estado francês, segundo a Constituição do país, teria liberdade para pedir que Philippe continuasse no cargo ou substitui-lo.

A saída de Édouard Philippe não é uma surpresa. O presidente francês já havia declarado que faria um remanejamento ministerial para a última fase do seu mandato, que começou em 2017 e termina em 2022. A eleição de Philippe como prefeito de Havre, na Normandia, no último domingo (28) já evidenciava seus novos projetos. Ele obteve 59% dos votos contra seu rival do PCF (Partido Comunista francês), Jean-Paul Lecoq.

Novo gabinete deve ser anunciado até quarta-feira

Por conta da demissão do premiê Édouard Phillippe, o Conselho de Ministros, previsto para esta sexta de manhã, foi cancelado. O novo governo deve ser anunciado antes de quarta-feira (8). Por enquanto, a atividade ministerial foi interrompida. Na Assembleia, onde deve ser examinado o terceiro projeto de orçamento do país, a sessão foi suspensa.

O regime francês é semipresidencialista, chamado pelos cientistas poltícos do país de “presidencialismo à francesa” e teorizado pelo jurista e cientista político francês Maurice Duverger nos anos 1970. Neste sistema de governo, o presidente divide o poder com o primeiro-ministro. Existe uma diferença crucial entre semipresidencialismo e parlamentarismo.

No parlamentarismo, o parlamento pode derrubar o primeiro-ministro. No semipresidencialismo, isso também pode acontecer, mas em contrapartida, o presidente tem o poder de dissolver o parlamento, poder inexistente nos sistemas presidencialistas ou parlamentaristas.

Primeiro-ministro ganhou popularidade

O presidente francês reafirmou em abril que queria “se reinventar”, mas dando continuidade às reformas desde o início do mandato, que priorizam as políticas de saúde, principalmente depois da epidemia do coronavírus, projetos para a terceira idade e jovens. Desde o início do governo Macron, 17 ministros já deixaram o cargo.

O premiê francês é bem mais popular do que o presidente. Ele ganhou pontos com os franceses depois dos protestos dos coletes amarelos e os debates nacionais que o fizeram viajar por todo o país para discutir com a população medidas para melhorar o poder aquisitivo.

Essa confiança cresceu com a epidemia do coronavírus – a atuação de Philippe foi bastante elogiada, lembra a imprensa francesa. Segundo uma pesquisa divulgada no último dia 21 de junho, ele tem uma taxa de 50% de aprovação entre a população, contra cerca de 38% para Macron.

// RFI

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