França não vai ceder ao terror, afirma Macron

franceintheus / Flickr

O presidente da França, Emmanuel Macron

Em Nice, presidente francês condenou atentado que matou três, e anunciou que vai mais que dobrar contingente de soldados antiterrorismo. França é alvo da “loucura islâmica por permitir que todos creiam livremente”, disse.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que o país “não cederá” ao terror depois do atentado que deixou três mortos, incluindo uma mulher que foi degolada, na cidade de Nice, no sul da França, nesta quinta-feira (29/10).

Falando em frente à Basílica Notre-Dame, dentro da qual um homem armado com uma faca matou duas mulheres e um homem, o presidente classificou o ato como um “atentado terrorista islâmico” e disse que a França estava sob ataque.

Macron anunciou que vai mais que dobrar o número de soldados destinados a proteger o país de atentados, aumentando o contingente dos atuais 3.000 para 7.000 militares, que serão enviados para proteger principalmente escolas e instituições religiosas.

Segundo o líder francês, esse aumento permitirá a proteção de locais de oração durante o feriado cristão de Todos os Santos, em 1º de novembro, e das instituições de ensino durante o retorno das férias de outono, que ocorre a partir da próxima semana.

Macron ainda disse ter convocado uma reunião do Conselho de Defesa para esta sexta-feira, durante a qual serão acertadas mais medidas, e prometeu “responder com firmeza e unidade” ao ataque em Nice, o terceiro a atingir o país em apenas um mês.

Segundo o presidente, a França está na mira da “loucura islâmica” por seus valores, “seu gosto pela liberdade, e por permitir que todos creiam livremente, sem ceder ao terror”.

“Repito com muita clareza hoje: não cederemos a nada”, disse ele, afirmando que o atentado desta quinta foi “um ataque a toda a França”, mas sobretudo “à comunidade católica”. “Não cedam às divisões”, pediu o mandatário.

O atentado ocorreu por volta das 9h da manhã (horário local). Um homem e uma mulher foram mortos dentro da basílica, e uma terceira pessoa, uma brasileira, foi gravemente ferida e morreu num café nas imediações, onde ela havia se refugiado, segundo policiais.

O agressor, que teria gritado “Allahu Akbar” (Deus é grande, em árabe) ao perpetrar o ataque, foi ferido a tiros pela polícia e levado a um hospital. O promotor antiterrorismo da França, Jean-François Ricard, disse que o suspeito é um cidadão tunisiano nascido em 1999.

Ele chegou à ilha italiana de Lampedusa, ponto de entrada para migrantes que cruzam em barcos a partir do Norte da África, em 20 de setembro, e viajou para Paris em 9 de outubro. O promotor não especificou quando o agressor chegou a Nice. O tunisiano não estava no radar das agências de inteligência como uma ameaça potencial.

Câmeras de vídeo gravaram o homem entrando na estação de trem de Nice às 6h47, onde ele trocou os sapatos e virou o casaco do avesso, antes de se dirigir à igreja, a cerca de 400 metros de distância. Ele chegou à basílica por volta das 8h30.

Ricard afirmou que o agressor carregava uma cópia do Alcorão, livro sagrado do Islã, e dois telefones. Uma faca com lâmina de 17 centímetros usada no ataque foi encontrada perto dele, junto com uma bolsa contendo outras duas facas não utilizadas no atentado.

O governo da França elevou o nível de alerta terrorista em todo o país após o atentado, segundo anunciou o primeiro-ministro Jean Castex, que prometeu uma resposta “firme, implacável e imediata“, diante dos parlamentares da Assembleia Nacional.

Ataques na França

O atentado ocorreu num momento em que a França está em alerta para atos terroristas em meio a tensões envolvendo caricaturas do profeta Maomé.

Em 16 de outubro, o professor de história Samuel Paty foi decapitado por um extremista islâmico nas proximidades de Paris, após ter exibido caricaturas do profeta em sala de aula, durante uma discussão sobre liberdade de expressão.

Em uma cerimônia de homenagem ao professor, Macron defendeu a liberdade de expressão e o direito de divulgar caricaturas no país, incluindo de Maomé, e acabou virando alvo de uma onda de indignação no mundo muçulmano, onde têm se multiplicado os apelos ao boicote de produtos franceses e os protestos.

Já em 25 de setembro passado, duas pessoas foram esfaqueadas perto do local onde ficava a antiga sede do jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris. O autor do atentado disse que não conseguiu suportar a nova publicação de caricaturas de Maomé pelo jornal, que em janeiro de 2015 fora alvo de um atentado por causa da publicação dessas caricaturas. Na ocasião, dois extremistas islâmicos mataram 12 pessoas.

Nice, por sua vez, foi alvo de um massacre em 2016 que deixou 86 mortos na Promenade des Anglais, a avenida beira-mar da cidade, no dia 14 de julho, a data nacional francesa. Um tunisiano de 31 anos avançou com um caminhão sobre a multidão reunida no local.

COMPARTILHAR

DEIXE UM COMENTÁRIO:

China consegue pousar veículo não tripulado em Marte

A China conseguiu neste sábado pousar um veículo autônomo não tripulado em Marte. A fase final da operação Tianwen-1 aconteceu sem falhas, informou a TV estatal chinesa, que transmitiu um programa especial chamado Alo …

Lewandowski permite que Pazuello fique em silêncio na CPI

Ex-ministro da Saúde será obrigado a comparecer ao depoimento, mas não precisará responder perguntas que possam incriminá-lo. No entanto, será obrigado a falar a verdade em fatos e questões relacionados a terceiros. O ministro do Supremo …

Como o coronavírus afeta o fígado

O SARS-CoV-2, vírus causador da covid-19, mudou completamente a cara do mundo que conhecíamos até então. Ele afetou praticamente todos os aspectos da vida cotidiana e causou mudanças substanciais nas ciências da saúde e, portanto, na …

'Síndrome de Havana': lesão cerebral atinge ao menos 130 diplomatas e oficiais americanos, dizem EUA

Diplomatas, agentes da CIA e oficiais de defesa dos EUA relataram sintomas graves da perturbação conhecida como "síndrome de Havana" nas últimas semanas. O elevado número de casos causa espanto. Nas últimas semanas, foram relatados mais …

RJ comunica 1º caso de raiva em cachorro em quase três décadas

Pela primeira vez desde 1995, o Laboratório Municipal de Saúde Pública (Lasp) do Rio de Janeiro diagnosticou um caso de raiva animal. A descoberta parte do resultado de perícia no corpo de um cão morto …

O que dizem cientistas sobre isenção de máscaras para vacinados nos EUA

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (13/05) o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção na maioria das situações para pessoas que já foram completamente vacinadas contra a covid-19. Segundo a nova orientação do …

Putin: Rússia reagirá de maneira devida às ameaças perto de suas fronteiras

Durante reunião com membros do Conselho de Segurança da Rússia nesta sexta-feira (14), o presidente da Rússia pediu que lhe fosse reportado sobre o agravamento do conflito israelo-palestino, que toca diretamente os interesses de segurança …

Covid: 16 mil pessoas foram imunizadas com doses de vacina trocadas no Brasil

Um levantamento de dados da Folha de São Paulo com informações do DataSUS, base de dados do Ministério da Saúde, mostrou que pelo menos 16 mil pessoas receberam doses de vacinas diferentes em seu processo …

Covid-19: diretor do Butantan prevê vacinação lenta até setembro no Brasil

Como diretor do Instituto Butantan desde 2017, Dimas Covas sempre precisou aliar o conhecimento técnico e científico com as particularidades do mundo político que, na visão dele, não parecem seguir uma lógica. E essa necessidade se …

Escalada de violência entre israelitas e palestinianos já fez mais de 100 mortos

O conflito entre israelitas e palestinianos subiu de tom na madrugada de hoje, com o Exército israelita a bombardear a faixa de Gaza. Desde segunda-feira já morreram 119 palestinianos nestes ataques, entre eles 31 …