Gene neandertal aumenta risco de complicações da covid-19

Estudo mostra que variação genética herdada de neandertais eleva em três vezes probabilidade de paciente com o coronavírus precisar de ventilação mecânica. Risco é semelhante ao de doenças pré-existentes.

Pacientes de covid-19 que possuem em seu DNA um agrupamento de genes herdados dos neandertais correm um risco maior de desenvolver complicações graves da doença, revelou um estudo do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, em Leipzig, na Alemanha.

De acordo com os pesquisadores, infectados com o novo coronavírus que carregam essa herança genética têm três vezes mais probabilidade de precisar de ventilação mecânica. Genes herdados de neandertais estão presentes em 16 % da população europeia e em metade da população do sul da Ásia e quase não está presente na África e no leste da Ásia.

Em vários momentos da história da evolução, os antepassados dos seres humanos se cruzaram com os já extintos neandertais, o que resultou numa troca de genes presentes até hoje.

Segundo o estudo publicado nesta quarta-feira (30/09) na revista especializada Nature, essa variação está ligada a um risco maior de hospitalização e insuficiência respiratória em infectados com o coronavírus. O risco associado a esse agrupamento de genes é semelhante ao de outros fatores, como idade ou doenças pré-existentes.

“É notável que a herança genética dos neandertais tenha consequências tão trágicas durante a pandemia atual”, afirmou Svante Paabo, diretor do departamento de genética do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária.

O ponto de partida do estudo foi uma pesquisa da Covid-19 Host Genetics que revelou que uma variação genética numa determinada região do cromossomo 3 está associada a formas mais graves da doença. Essa mesma região era conhecida por abrigar a herança genética de origem neandertal.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores compararam então agrupamentos de genes de neandertais e denisovanos. Eles notaram que essa variação era quase idêntica a uma encontrada num neandertal da Croácia que viveu há 50 mil anos. Já os denisovanos não carregavam esses genes.

O estudo afirma ainda ser mais provável que essa alteração tenha entrado no fundo genético do homo sapiens por meio de cruzamentos mais recentes.

Os pesquisadores também notaram que a prevalência dos genes do neandertal é mais elevada nos naturais de Bangladesh, 63% da população, o que ajudaria a explicar o porquê de pessoas com ascendência de Bangladesh terem um risco duas vezes maior de morrer por causa de covid-19 do que o resto da população.

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