250 russos siberianos foram os primeiros americanos

Eric S. Carlson / Ben A. Potter

Uma recente análise genética sugere que a população fundadora dos nativos americanos que migrou da Sibéria era composta por aproximadamente 250 indivíduos.

Apesar dos inúmeros estudos genéticos, os cientistas ainda não tinham chegado a um consenso sobre quantos nativos americanos compunham a população original.

O novo estudo, publicado na Genetics and Molecular Biology, corrobora resultados de estudos anteriores e sugere que a população fundadora dos nativos americanos era composta por 250 indivíduos.

“Passar de algumas centenas de fundadores para cerca de 40 milhões de habitantes, que vivem em diferentes condições ambientais, é algo muito empolgante”, comentou o professor de antropologia da Universidade do Kansas, Michael Crawford. “Esse estudo é sobre entender como a evolução opera em termos de diversidade genética.”

Segundo Nelson Fagundes, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, averiguar o tamanho dos grupos fundadores é muito importante, já que determina a quantidade de diversidade genética que se transfere aos descendentes do grupo. Por sua vez, isso pode alterar a eficácia com que a seleção natural elimina os genes “ruins”.

“As grandes populações têm uma seleção muito eficiente, enquanto em populações pequenas são geneticamente suscetíveis a algumas doenças”, explicou Fagunde.

Para revelar o tamanho do grupo fundador, a equipe de cientistas estudou amostras de DNA de 10 indivíduos americanos nativos da América Central e do Sul, 10 pessoas de diferentes grupos siberianos e 10 indivíduos da China, representando assim as várias afiliações tribais.

Os dados genéticos ajudam a pintar a imagem de como se desenrolou a antiga migração. Os cientistas sabem que a variação genética dentro de uma amostra está diretamente relacionada com o tamanho da população. A isso, juntaram o fato de a diferença genética entre duas populações aumentar com o tempo.

Isso permitiu aos pesquisadores associar os dados do DNA em simulações computacionais e determinar o tamanho original do grupo fundador, explicou o líder do estudo.

De acordo com os modelos, o grupo original era composto por 229-300 pessoas, o que levou à estimativa final de 250 indivíduos. Esse número é muito pequeno, o que significa que havia pouca variação genética na população.

Mas desde essa época já se passou muito tempo. Os nativos americanos tiveram assim tempo para recuperar sua diversidade através de novas mutações genéticas. Mais do que isso: alguns nativos da América do Note formaram uniões com pessoas de migrações posteriores, o que também contribuiu para a diversidade genética, conclui o estudo.

Ciberia // Sputnik / ZAP

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