Herdeira da Disney diz que “tinha vergonha do sobrenome” ao falar de doação milionária

Abigail Edna Disney cresceu com muita vergonha do sobrenome que ostentava. Desde pequena, mais precisamente depois que completou dez anos, percebeu que o tamanho do patrimônio da família não condizia com a realidade da maioria das pessoas.

Neta de Roy O. Disney, irmão mais velho de Walt, ela escolheu um caminho para sua vida diferente daquela que pessoas com os mesmos dígitos de sua conta bancária costumam tomar.

Eu tinha muita vergonha do nome Disney. Ficava aterrorizada que alguém descobrisse que eu era parente (de Walt Disney). Muitas vezes, não usava meu sobrenome e, às vezes, dava um sobrenome alternativo”, conta a sobrinha neta do criador do império Disney, em entrevista à rádio Outlook, da “BBC”.

Aos 60 anos, Abigail é produtora, filantropa e ativista social. A estimativa é que sua fortuna esteja avaliada em US$ 500 milhões, mas ela não revela valores. Isso porque ela não vê o dinheiro como algo fundamental em sua vida. Na verdade, acredita que a ganância foi o que corroeu a sua família.

“Cada um de nós (dos irmãos) era levado para almoçar pelo nosso advogado no dia em que completava 21 anos e éramos informados sobre quanto havíamos herdado. Era uma espécie de cerimônia”, lembra. Quando chegou sua vez, soube que tinha US$ 10 milhões em sua conta, um valor alto já para os dias de hoje mas ainda mais alto naquela época.

“Eu fiquei tão aborrecida, tão aborrecida. Eu diria até traumatizada com o número. Isso aconteceu em 1981, quando eu tinha 21 anos, então US$ 10 milhões era mais dinheiro do que agora. E me parecia que nenhum ser humano decente deveria ter muito mais dinheiro do que qualquer outro. Eu simplesmente não conseguia ficar confortável com isso.”

Com vergonha do nome, Abigail costumava mentir sobre seus laços de parentesco. Na Universidade de Yale, onde estudou, desconversava quando lhe perguntavam sobre o assunto. O fato de sua família ser conservadora e de Walt Disney ter colaborado com as perseguições do macarthismo nos Estados Unidos sempre a incomodaram.

“Às vezes, era uma conversa em tom de admiração sobre como minha família era maravilhosa, e nesse caso eu sentia vergonha por não ter nada em comum com aquelas pessoas. Ou era uma conversa sobre quanto dinheiro eu tinha. Ou sobre o que minha família tinha feito politicamente. Não tinha como escapar.”

Do avô, ela guarda boas recordações mas sabe ponderar sobre os problemas familiares com bastante lucidez.

“Meu avô era um homem bastante acolhedor, muito doce e de bom coração. A família era tudo para ele. Definitivamente, tínhamos um laço familiar forte”, diz. Sobre o tio Walt, ela não se lembra muito bem. Ele morreu quando ela tinha seis anos e a única memória que lhe vem à mente é a da tristeza na família.

Abigail lembra que, quando tinha cerca de 30 anos, participou de uma reunião familiar cujo assunto principal era estabelecer a meta de que o patrimônio líquido de seu pai, Roy Edward Disney, deveria chegar a US$ 1 bilhão.

“Minha reação instantânea foi: ‘Não, não’. Valer US$ 1 bilhão parecia profundamente errado para mim”, lembra.

O inconformismo com a forma com que a família se relacionava com dinheiro foi crescendo e, certa vez, à bordo de um jatinho particular, ela percebeu que não era aquilo que queria para sua vida.

Ao longo da vida, Abigail se tornou ativista e atuante em debates sobre justiça social. Estima-se que ela já tenha doado cerca de US$ 70 milhões de seu patrimônio. Na criação de seus filhos, a cineasta busca ensinar valores que passam longe do cifrão.

“Eu e meu marido decidimos priorizar certas qualidades que não têm nada a ver com dinheiro. Uma delas é generosidade. Todo mundo que é generoso que eu conheço também é uma pessoa feliz. Também ensino e falo muito sobre justiça. Me certifico de que eles entendam que o dinheiro e o sobrenome não querem dizer nada sobre quem eles são.”

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