Jovens nigerianas criam aplicativo que detecta remédios falsos

Após cruzar a informação coletada no código de barras de um remédio com uma base de dados, app gera alerta de autenticidade e especifica data de validade.

Até pouco tempo atrás, o Vale do Silício, na Califórnia, não era mais do que um ponto estranho no mapa para a nigeriana Promise Nnalue.  Agora, é um lugar de sonho onde ela e outras quatro amigas ganharam um concurso mundial de tecnologia pela criação de um aplicativo que detecta remédios falsos e determina sua data de validade.

“O aplicativo criado foi o ganhador porque ajuda a resolver um problema da vida real”, disse à Agência Efe a mentora das jovens, Uchenna Onwuamaegbu-Ugwu.

Ela se refere ao “FD Detector“, um aplicativo para a plataforma Android criado pelas nigerianas Promise Nnalue, Jessica Osita, Nwabuaku Osseu, Adaeze Onuigbo e Vivian Okoye, que têm entre 14 e 15 anos.  Uchenna Onwuamaegbu-Ugwu é criadora da ONG Edufun Technik STEM e capacitou as jovens nos campos de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

Após cruzar a informação coletada no código de barras de um remédio com uma base de dados, o aplicativo gera um alerta de autenticidade e especifica a data de validade. De acordo com autoridades médicas do país, a Nigéria possui o maior mercado de remédios falsificados da África. Eles chegam a 40% do total de importações, que, na maioria das vezes, vêm da Índia e da China.

Este comércio atinge especialmente a cidade de Onitsha, de onde elas são e onde vários cidadãos, incluindo uma das meninas, perderam parentes após tratamentos com remédios falsos.

O aplicativo foi apresentado em maio na capital da Nigéria, Abuja, durante a etapa regional do “Technovation Challenge”, um programa que encoraja jovens mulheres de todo o mundo a utilizar a tecnologia para resolver alguma demanda de sua comunidade.

As meninas ganharam o prêmio em nível nacional e, em agosto, venceram a etapa final no Vale do Silício, onde desbancaram oponentes de 12 países, incluindo Estados Unidos, China e Rússia.

No entanto, começar do zero não foi fácil. Elas precisaram enfrentar a desconfiança dos pais sobre os benefícios do projeto e o receio dos professores, que temiam que atrasassem o ano letivo.

Nem mesmo os colegas de turma mostraram grande apoio. “Disseram que estávamos perdendo o tempo”, lembrou Promise, pouco depois do sucesso na aclamada competição. A companheira Vivian, por outro lado, que não sabia digitar e nem acessar à internet, agora quer ser programadora.

A vitória trouxe reconhecimento internacional também para a Escola Regina Pacis Model, onde elas estudam, e colocou a cidade de Onitsha no mapa.

“Elas estão entusiasmadas, estão felizes e querem ver o que o futuro reserva em termos de mais conhecimento”, revelou à Efe Uchenna Onwuamaegbu-Ugwu.

Para ela, o trabalho bem feito e a fama conquistada pelas adolescentes prova que, apesar de partirem de uma situação não tão favorável como as estudantes de outros países, quando se oferece uma oportunidade, as pessoas são capazes de grandes feitos.

Uchenna Onwuamaegbu-Ugwu, que nasceu e cresceu na mesma região que as meninas, também não teve acesso a muitas oportunidades, por isso decidiu mudar a história das cinco jovens com o apoio da ONG.

“Além do reconhecimento, isso pode ajudar a aumentar o número de mulheres interessadas em ciência e tecnologia no nosso país”, opinou a jovem com entusiasmo.

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