José Cruz / ABr

Michel Temer
Para garantir a aprovação de um parecer favorável já na CCJ, o governo tem atuado em diversas frentes para conseguir os votos necessários para barrar a denúncia contra o presidente Michel Temer por obstrução de justiça e organização criminosa. O parecer do relator, o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), deve ser entregue ainda nesta terça-feira (10) às 15h.
De acordo com o portal de notícias da Globo, assim como na primeira denúncia, que foi barrada pela Câmara dos Deputados, uma das linhas de atuação do Palácio do Planalto tem sido a substituição de integrantes da comissão que votariam contra Temer.
Desde a apresentação da segunda denúncia, no dia 14 de setembro, foram oito substituições para garantir cinco votos favoráveis a Temer, incluindo o do relator.
Relatoria
O governo se mobilizou para recolocar o governista Bonifácio de Andrada na CCJ.
Retirado da comissão pelo PSDB, que não queria que ele relatasse a matéria, o Palácio do Planalto articulou o retorno dele com o PSC, legenda do líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE), que cedeu uma vaga.
Entretanto, o presidente recebeu nesta segunda-feira (9) o Pastor Everaldo, presidente do PSC, que foi ao planalto acompanhado de André Moura.
Segundo o blog da Andréia Sadi, colunista do G1, Everaldo cobra do governo a fatura pela operação que permitiu a permanência do relator que Temer queria na comissão. Entre os pedidos, ele quer que o Planalto o ajude em questões de sua base eleitoral, o Rio de Janeiro.
Liberação de emendas
Outra linha de atuação do governo para garantir votos favoráveis a Temer é a liberação de emendas parlamentares para deputados da base aliada. As emendas têm previsão no Orçamento da União e são pagas para obras ou projetos indicados pelos deputados em seus redutos eleitorais.
No entanto, segundo o G1, com o corte de gastos do governo federal, o pagamento das emendas tem demorado. No domingo, Temer fez uma reunião com o ministro Dyogo Oliveira (Planejamento) para tratar disso.
Segundo o blog da Andréia Sadi, o governo também negocia com parlamentares aliados, em troca de votos contra a denúncia, uma alternativa ao fim do imposto sindical, que foi extinto pelo Congresso Nacional na reforma trabalhista aprovada em julho.
A oposição também tem se articulado. O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) apresentou um requerimento para desmembrar a votação da denúncia de modo que a comissão vote de forma separada a autorização para o prosseguimento da denúncia em relação a cada um dos envolvidos. “Essa decisão sobre o fatiamento precede a leitura do parecer”, defende Molon, citado pela Globo.
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Ciberia // G1