Líder da Samsung comparece a tribunal e pode ser preso mais uma vez

samsungtomorrow / Flickr

O herdeiro da Samsung, Lee Jae-Yong

Esta segunda-feira (08) pode ser um dia decisivo para Jay Y. Lee, atual líder do Samsung Group. O executivo compareceu a um tribunal na Coreia do Sul para ouvir uma decisão a respeito de acusações que incluem fraude contábil e manipulação de ações. Com isso, ele pode voltar a ser preso, após dois anos em liberdade.

Lee teve um mandado de prisão expedido contra ele na semana passada, a pedido de promotores do caso. Ele vem sendo alvo da justiça sul-coreana há anos, a partir da investigação de uma controversa fusão de duas afiliadas da Samsung, que ocorreu em 2015. Segundo as autoridades, o processo ajudou a facilitar o plano de Lee de assumir maior controle do grupo.

Jay Y. Lee, 51 anos, está à frente da Samsung desde 2014, quando seu pai sofreu um ataque cardíaco. Hoje, a receita do conglomerado é analisada separadamente da Samsung Eletronics Co., cujo faturamento anual, sozinha, equivale a 12% do PIB da Coreia do Sul. A audiência em que o executivo esteve presente nesta segunda-feira durou mais de oito horas. Na saida, ele não respondeu as perguntas dos jornalistas. A decisão sobre seu destino está prevista para ser anunciada até terça-feira (09).

As ações da Samsung Electronics mudaram pouco desde o pedido de mandado de prisão na última quinta-feira (4).

Uma das possibilidades que podem ocorrer a Lee é o tribunal sul-coreano determinar que ele seja detido por 20 dias, enquanto os promotores prosseguem com as investigações. Depois disso, as acusações devem ser apresentadas e ele será julgado. E durante esse processo, o executivo pode ser detido por até seis meses.

No entanto, os investidores não esperam grandes solavancos no dia-a-dia da Samsung. Isso porque o grupo vem sendo bem administrado por seu corpo de diretores, que não deixou que esse episódio envolvendo Lee abalasse os negócios do conglomerado anteriormente.

Lee foi preso por cerca de um ano, até fevereiro de 2018, por uma suposta participação em um escândalo de suborno, quando teria presenteado a filha de um confidente do ex-presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, com cavalos. O objetivo era obter apoio do governo para a fusão de duas empresas afiliadas.

Segundo Park Jung-hoon, gerente de fundos da HDC Asset Management,“é improvável que a Samsung esteja com problemas, mesmo com a ausência de Lee. Mas o caso reacende as preocupações de governança nos conglomerados sul-coreanos e os investidores estão fartos dessas controvérsias”, afirmou.

A fusão entre duas afiliadas do grupo sul-coreano, a Samsung C&T e a Cheil Industries, em 2015, é vista como chave para a condenação de Lee. As novas alegações afirmam que ele esteve envolvido em transações ilegais e manipulação de ações. A fusão foi vista como a chave para o executivo aumentar o controle do grupo, mas os críticos dizem que ele também agiu contra os interesses dos investidores minoritários. Os promotores também alegam que Lee teve um papel importante em aumentar o valor da Samsung Biologics Co Ltd, que considerava a Cheil Industries como principal acionista.

Sobre a questão da manipulação de ações, a Samsung negou na última sexta-feira (5) a participação de Lee, dizendo que o envolvimento do executivo na tomada de decisões “vai contra o senso comum”. Em outra declaração no fim de semana, a empresa disse que a longa investigação está pesando sobre a administração do conglomerado, que está em “crise” em um momento de pandemia do coronavírus, além das disputas comerciais EUA-China que aumentam ainda mais as incertezas.

Na economia da Coreia do Sul, o poder está altamente concentrado em vários conglomerados (também conhecidos como chaebol), muitos dos quais sofrem com problemas de sucessão, muitas delas controversas. Antes do ataque cardíaco de seu pai e subsequente hospitalização, Jay Y. Lee e suas irmãs detinham pouco poder na Samsung Electronics. Desde então, tentaram afirmar mais controle sobre o grupo por meio dos dois afiliados que geraram as acusações contra o executivo.

Enquanto Lee cumpriu pena pelo escândalo de suborno, a Suprema Corte da Coréia do Sul anulou uma decisão do tribunal de apelações para suspender sua sentença. Não está claro quando haverá uma nova decisão judicial indicando se ele terá que cumprir pena de prisão por essa condenação. A Samsung se recusou a disponibilizar Lee para comentar.

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