(dr) Emery Smith

Ata, a pequena múmia “extraterrestre” encontrada no deserto do Atacama
Um estudo agora revelado permitiu concluir que a ATA, a pequena múmia chilena de aparência extraterrestre encontrada no deserto do Atacama em 2003, é o esqueleto de uma menina que nasceu prematura e com várias mutações genéticas.
Depois de, no início do mês, terem sido anunciados primeiros resultados de uma análise de DNA à misteriosa múmia de Nazca, no Peru, uma equipe de cientistas revelou agora detalhes sobre outro mistério semelhante: a origem de ATA, a múmia chilena que nos últimos anos tem causado alvoroço na comunidade científica internacional.
Encontrada em 2003, no deserto do Atacama, a estranha forma do esqueleto, de apenas 15 centímetros, alimentou rumores de que seria extraterrestre. A hipótese foi rapidamente descartada pelos cientistas, mas várias questões permaneciam sem resposta.
O estudo da pequena múmia, cuja análise do material genético durou cinco anos, revelou que o esqueleto pertence a uma menina que teve várias mutações genéticas. Os resultados foram publicados nesta quinta-feira (22) no jornal Genome Research.
Segundo os cientistas, trata-se de uma criança prematura, que nasceu com diversas deformações nos ossos e crânio devido a uma série de mutações ligadas a nanismo e ao envelhecimento prematuro. Anteriormente, especialistas acreditavam que os ossos pertenciam a uma criança com idade entre seis e oito anos.
Os pesquisadores acreditam que Ata nasceu morta ou morreu logo após o nascimento. A análise revelou também que o esqueleto, encontrado no interior de uma bolsa de couro atrás de uma igreja, nasceu há menos de 40 anos.
Usando o DNA extraído da medula óssea da múmia, os cientistas fizeram uma análise completa do seu genoma, tendo conseguido determinar sem qualquer dúvida que a pequena múmia é humana, e até sua origem geográfica. Ata é sul-americana, provavelmente da região andina.
De acordo com Garry Nolan, pesquisador da Universidade de Medicina de Stanford e um dos autores do estudo, no futuro a descoberta pode ajudar a descobrir tratamentos para pacientes com problemas nos ossos. “Talvez possa haver alguma forma de acelerar o crescimento dos ossos”, acrescentou o cientista, citado pelo The Washington Post.
Além do crânio visivelmente alongado e das cavidades oculares anormalmente grandes, uma das deformações mais notórias de Ata é o número de costelas: tem apenas 10 pares, quando o normal seriam 12.
“Todos nascemos com uma ou outra mutação. Tantas mutações como as que conseguimos identificar não são normais num só indivíduo, mas foi apenas uma questão de azar“, explica Garry Nolan.
Ciberia // ZAP