Imagine viver sem celular, luz elétrica, banho quente e todos os outros confortos da vida moderna. Para um casal, a vida sem todas essas coisas é perfeita. Eles abandonaram a vida de luxo na cidade e há sete anos vivem em uma floresta da Nova Zelândia.
A holandesa Miriam Lancewood, de 33 anos, e o marido, o neozelandês Peter, de 63, tinham a ideia de passar apenas um ano em meio à natureza. Mas não quiseram voltar mais.
Ela conta toda a experiência no livro “Woman in the Wilderness”, Mulher na selva, e em entrevista ao jornal britânico “Daily Mail”, disse que os dois não têm planos de voltar definitivamente para a civilização.
Miriam e Peter Lancewood tiveram a ideia de ir morar em South Marlborough após fazerem uma caminhada na Holanda. “Queríamos ser parte da natureza, em vez de apenas observá-la”, disse ela.
A preparação incluiu longas caminhadas de dez dias pelo mato, treinos de arco e flecha em um alvo e leituras sobre plantas comestíveis. “Arrumamos dois mochilões de 85 litros com tudo o que precisávamos, desde aveia laminada até leite em pó, farinha, mel, arroz e legumes. Nós contamos tudo, incluindo os saquinhos de chá”, contou Miriam.
Eles se mudaram para South Marlborough no final de 2010, onde passaram o inverno, depois foram para o Nelson Lakes, e mais tarde para a West Coast.
(dr) Miriam Lancewood

“Queríamos ser parte da natureza, em vez de apenas observá-la”
Miriam pegou seu primeiro animal – um gambá – naquele ano. Ela tinha sido vegetariana durante a maior parte de sua vida antes disso, mas percebeu que teria que caçar para se manter aquecida.
A jovem de 33 anos mais tarde atirou e matou sua primeira cabra com seu arco e flecha. “Lembro-me de pensar ‘isso é terrível’, na época, e chorei, mas depois também me senti muito orgulhosa de mim mesmo”, disse ela à publicação.
Eles passam o dia entre a caça, a cozinha, a exploração e o sono, e só vão a cidades quando precisam de mais alimentos.
“Não temos necessidade de dinheiro na natureza. Quando vamos para as cidades, obviamente, temos de comprar mais aveia, mel, arroz, etc – e assim eu tiro dinheiro do banco”, contou ela, que toca violão nos shopping centers quando está na cidade para ganhar dinheiro.
“É incrível quando você se remove da vida moderna quanto melhor você se sente. O sono vem muito facilmente quando a mente está quieta. Nunca poderei dormir nas cidades”.
Para se comunicar com sua família, Miriam criou um sistema pelo qual ela escreve cartas a seus pais e as entrega a caçadores para que eles postem quando estiverem fora da floresta. “Meus pais, então, me respondem por e-mail e vejo a cada dois ou três meses, quando vou a uma aldeia”, disse ela.
Segundo Miriam, “a paz de espírito que você encontra na natureza é indescritível”:
“Eu aprendi o quão pequenos são nossos problemas, e por causa disto, minhas preocupações pessoais parecem minúsculas e patéticas. Essa experiência tem sido uma grande ajuda para minha ansiedade. Eu me sinto feliz, saudável e explorar me dá tanta alegria e energia”, finalizou.