“Número três” do Vaticano é acusado de pedofilia

Mazur / catholicchurch.org.uk

Cardeal George Pell, responsável pelo Ministério da Economia do Vaticano

Cardeal George Pell, responsável pelo Ministério da Economia do Vaticano

O cardeal George Pell é o “número três” na hierarquia do Vaticano, onde dirige a Secretaria da Economia. Mas apesar do alto cargo na hierarquia católica, Pell é acusado de crimes de abuso sexual de menores na Austrália e deverá se apresentar a tribunal dentro de dias.

George Pell tem 76 anos e é o principal conselheiro financeiro do Papa Francisco, assim como o mais alto representante da Igreja Católica na Austrália. Esta quinta-feira (28), ele foi intimado a comparecer no tribunal de Melbourne, na Austrália, “dentro de dias” – em 18 de julho –, segundo anunciou a polícia, depois de ter sido acusado de crimes de abuso sexual de menores.

O mais alto membro do Vaticano a ser formalmente indiciado por crimes relacionados com abuso sexual de menores foi interrogado em Roma, onde negou todas as acusações.

Para responder às acusações, o cardeal já tirou uma licença, autorizada pelo Papa Francisco, que já manifestou seu apoio ao cardeal. Em conferência de imprensa, Pell garantiu ser inocente e que terá a oportunidade de “negar vigorosamente todas as alegações” em tribunal.

Shane Patton, comissário adjunto da polícia de Victoria (Austrália), denunciou aos jornalistas que Pell enfrenta múltiplas acusações de crimes sexuais, destacando, no entanto, que “nenhuma das acusações contra o cardeal Pell foi ainda comprovada em tribunal“.

As acusações contra o membro do Vaticano surgiram inicialmente no fim de uma investigação sobre a resposta de instituições na Austrália a abusos sexuais contra menores em 2012.

Agora, a polêmica representa um duro golpe para o Papa Francisco, que prometeu “tolerância zero” aos abusos sexuais cometidos por membros da Igreja Católica, que têm afetado sua reputação e credibilidade.

Em maio deste ano, em uma entrevista ao jornal português Observador, Pell negou todas as suspeitas que já recaíam sobre ele e afirmou que se retirava do cargo “se fosse um embaraço para o Papa”.

O cardeal, que já foi ouvido três vezes no âmbito da investigação, se declarou “culpado” de ter acreditado frequentemente nos padres em detrimento das vítimas que alegaram abusos, e que a Igreja errou ao “permitir” que milhares de crianças fossem violentadas por membros da instituição.

As acusações recaem sobre supostos abusos sexuais cometidos entre os anos de 1976 e 2001. O cardeal chegou também a compartilhar casa com o padre Gerald Ridsdale nos anos 70.

Ridsdale acabou sendo condenado e preso, por ter cometido crimes de abusos sexuais, na época, e a comissão de investigação tenta agora averiguar se o cardeal ajudou também a encobrir os crimes.

Pell foi ordenado em Roma no ano de 1966 e cinco anos depois regressou à Austrália onde foi subindo até ao topo da hierarquia católica. Foi sacerdote em Ballarat – sua terra natal –, entre 1976 e 1980, e arcebispo em Melbourne entre 1996 e 2001.

Depois disso, se tornou arcebispo de Sidney e, em 2014, o Papa Francisco o escolheu para desempenhar a função de tesoureiro da Economia do Vaticano.

// ZAP

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