Uma coluna provocativa publicada na Scientific American explica a ideia de que a realidade física do universo não teria a ver com a matéria de prótons, átomos, células e estrelas, e apenas o aparato matemático que descreve o comportamento da matéria seria real. Ou seja: a única coisa real seria a informação.
O autor da coluna, publicada no dia 25 na revista científica Scientific American, é Bernardo Kastrup, doutor em engenharia da computação e filósofo.
A hipótese defende que o universo físico existiria porque nós o percebemos assim, como uma alucinação em massa que usamos para dar sentido à relação matemática entre objetos. Esta noção abstrata se chama “realismo da informação”, e é uma com base filosófica associada à física.
Kastrup explica que o que antes acreditávamos ser as menores partículas do mundo – os átomos – acabaram se revelando capazes de divisões menores ainda.
“Até que o que sobra não tem forma e nem solidez. No fim dessa corrente da redução física há apenas entidades elusivas e fantasmagóricas que nós chamamos de ‘energia’ e ‘campos’ – ferramentas conceituais abstratas que descrevem a natureza, que por si só parece não tem nenhuma essência real, concreta”, escreve ele.
Isso tudo indica para alguns físicos que o que chamamos de “matéria”, na verdade é apenas uma ilusão.
Em outras palavras, a matéria surge a partir do processamento da informação, e não o contrário. Segundo a teoria de Kastrup, mesmo a mente e a alma seriam um fenômeno derivativo da manipulação de informações puramente abstratas.
Isso quer dizer, então, que Kastrup não existia até você ler este texto?
