A cada 17 mil anos, uma erupção vulcânica pode mudar o mundo

R. Clucas / Wikimedia

Depois de analisar 100 mil anos de registros geológicos, os cientistas calcularam que o tempo entre erupções vulcânicas capazes de alterar o mundo é menor do que se pensava, fixando-se num máximo de 17 mil anos.

Os vulcões, assim como os asteroides, podem ser suficientemente poderosos para destruir em escala global. Uma recente avaliação descreve erupções capazes de devolver a humanidade a um estado anterior à civilização.

As maiores erupções explosivas se chamam “supererupções” e expelem mais de mil gigatoneladas de lava, o suficiente para cobrir um continente inteiro com cinza vulcânica e mudar os padrões climáticos globais durante décadas.

A equipe das Faculdades de Ciência da Terra e Matemáticas da Universidade de Bristol estimou com que frequência ocorrem as maiores erupções explosivas. A análise indica que o tempo médio entre supererupções é apenas um pouco maior do que a idade da civilização, que data da Revolução Agrícola, ocorrida há 12 mil anos.

Um dos autores, Jonathan Rougier, professor de Ciências Estatísticas em Bristol, aponta que a estimativa anterior, feita em 2004, foi de que as supererupções ocorriam em média a cada 45 ou 714 mil anos, uma data maior do que a da civilização. “Mas no nosso documento voltamos a estimar este alcance entre 5.200 e 48 mil anos, com o melhor valor estimado em 17 mil anos“.

Segundo os registros geológicos, as duas supererupções mais recentes aconteceram há 20 ou 30 mil anos. O professor Rougier acrescenta que, no geral, o ser humano foi “ligeiramente sortudo” de não ter experimentado nenhuma supererupção desde então.

“É importante dizer que a ausência de supererupções nos últimos 20 mil anos não implica uma ocorrerá em breve. A natureza não é assim tão regular“, explica.

“O que podemos dizer é que os vulcões são mais ameaçadores para a civilização do que se pensava anteriormente”, assinala. A civilização mudará de forma inimaginável nos próximos mil anos, e há muitas outras formas nas quais poderia sofrer um golpe catastrófico antes da próxima supererupção.

Sobre essa base, o professor Rougier diz que há pouca necessidade de planificar, no momento, uma supererupção, especialmente com muitos outros problemas urgentes a serem abordados, o que afetaria a atual e a próxima geração humana.

Mas as grandes erupções, que são muito mais frequentes, ainda podem ser devastadoras para as comunidades e até mesmo para os países. Por isso, uma planificação cuidada é crucial para a redução do risco de desastres.

De acordo com o documento, Rougier explica que, além de melhorar a compreensão do vulcanismo global, o documento aborda técnicas relativamente simples para analisar registros geológicos e históricos incompletos e propensos a erros sobre estes eventos raros.

“Estas dificuldades estão onipresentes nos riscos geológicos e esperamos que nosso foco seja utilizado para avaliar outros tipos de perigo, como terremotos”, conclui.

Ciberia // ZAP

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