Com 1000 anos, maior cidade pré-colombiana da região dos EUA fica sob a cidade St Louis

Joe Freeman / Wikimedia

Ruínas da cidade de Megido, em Israel

Por mais que tenhamos sido ensinados que a história do continente americano começa pela chegada por aqui dos navegadores europeus – e o próprio nome de tal território sublinha essa recorrente doutrinação – o fato é que, muito antes de ingleses, portugueses, holandeses ou espanhóis desembarcarem por aqui para “descobrirem” o tal “novo mundo”, civilizações inteiras, com suas cidades complexas e grandiosas, já habitavam em esplendor os territórios que hoje reconhecemos como a América do Norte, Central e Do Sul.

Cerca de 5 séculos antes da chegada dos europeus na região, há 1000 anos onde hoje fica a cidade de St. Louis, no estado do Missouri e próximo ao estado de Illinois, no Centro-oeste dos EUA, imensas pirâmides marcavam a cidade de Cahokia, uma verdadeira metrópole maior à época que Londres ou Paris.

Estima-se que a fundação da cidade tenha acontecido por volta do ano 900, e encontrado seu auge em torno do ano de 1050, com uma população de cerca de 30 mil habitantes – Cahokia tornou-se a maior cidade pré-colombiana na região que hoje compreende os EUA.

Curiosamente, seu nome nada tem a ver com a cidade de fato ou com o povo que lá vivia: Cahokia era o nome da tribo que habitava a região quando da chegada por lá dos europeus, que assim decidiram batizar os resquícios que encontraram da antiga civilização que havia desaparecido em verdade há séculos. O povo que vivia na cidade é conhecido simplesmente como “Mississippianos”, pela proximidade com o Rio Mississippi.

Até a década de 1970, as grandiosas passarelas, montes, pirâmides e outros rastros arqueológicos da cidade permaneciam escondidos ou encobertos pelas construções modernas do subúrbio de St. Louis ou de Collinsville, já no estado de Illinois, e era comum que os fazendeiros da região tropeçassem nos vestígios de outra civilização.

Sabe-se que era uma cidade imensa, com construções que superavam 30 metros de altura em andares diversos – como o Monk’s Mound, pirâmide localizada numa espécie de praça central da cidade.

E era também uma cidade espiritual, cenário de rituais tão constantes quanto potencialmente macabros: uma cova encontrada nos anos 1960 revelou 250 ossadas de pessoas sacrificadas em rituais públicos.

O que teria acontecido com a cidade batizada de Cahokia ou com o povo chamado de Mississippiano permanece um mistério: o que é certo é que em 1050 a cidade era famosa em todo o continente por sua grandiosidade, e que em 1400 a população já estava desaparecida, e Cahokia havia se transformado no resto de uma cidade fantasma.

Outros povos nativos habitaram a região e a construção desde a queda da cidade, mas os monumentos e construções desse povo original permanecem como marca indelével na região, e sobre o efeito do domínio europeu não somente sobre a terra e os povos de então, mas também sobre a maneira com que vemos nossas cidades, nossos países, nosso continente e principalmente nossa história.

Qual seria o nome original de Cahokia e de seu povo? E o que de fato aconteceu com essa que provavelmente foi a primeira grande cidade dos EUA? Uma reportagem completa e detalhada sobre Cahokia foi publicada pela jornalista Annalee Newitz após visita aos restos da cidade no site Ars Techinica – e pode ser lida, em inglês, aqui.

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