Arquivos sobre a morte de Kennedy: strippers, Fidel Castro e conspirações

A agência de espionagem norte-americana (CIA) garantiu nesta quinta-feira (26) que já foram tornados públicos, na íntegra, mais de 69 mil dos 87 mil documentos relacionados com o assassinato do presidente John F. Kennedy.

A CIA assegura que nenhum dos 18 mil registros será mantido secreto na totalidade e que as partes editadas (ou escurecidas) destes documentos representam menos de 1% da informação total da CIA contida nos documentos.

A agência justificou as edições da informação com a necessidade de proteger informação que, se fosse divulgada, prejudicaria a segurança dos EUA.

As edições, ainda segundo a agência, esconderam os nomes de ativos da CIA e de atuais e antigos agentes, bem como métodos da sua atuação e parcerias, que continuam úteis para proteger a segurança dos EUA.

Pedidos para manter secretos centenas de documentos relacionados com o assassinato do presidente norte-americano John F. Kennedy, na sua maioria da CIA e do FBI, limitaram a 2.800 os que foram divulgados nesta quinta.

A informação foi adiantada por dirigentes do governo norte-americano que mencionaram apelos de última hora da agência de espionagem e da polícia federal dos EUA atendidos pelo presidente, Donald Trump.

A coleção de documentos, que deveria ter sido divulgada integralmente agora, inclui mais de 3.100 documentos, que compreendem centenas de milhares de páginas, que nunca foram vistos pelo público. Os documentos que não foram revelados agora estarão sob apreciação durante mais seis meses.

O que revelam os ficheiros

Durante a noite, o Washington Post teve uma equipe a analisar os documentos para revelar as primeiras conclusões dos ficheiros que foram mantidos secretos durante mais de 50 anos.

Segundo o jornal, os documentos registram o depoimento de Richard Helms, na época diretor da CIA, recolhido em 1975 em uma comissão de inquérito, e abordam o suposto envolvimento da CIA em uma conspiração para matar o presidente americano.

A certa altura do interrogatório, e após uma breve troca de impressões sobre a guerra do Vietnã, um dos procuradores nessa mesma comissão, David Belin, começa a perguntar a Helms: “Há alguma informação relacionada com o assassinato do presidente Kennedy que, de alguma maneira, revele que Lee Harvey Oswald seria de alguma forma um agente da CIA ou um agente…“.

É precisamente neste ponto que o documento é cortado, segundo realçam os repórteres do Washington Post.

Lee Harvey Oswald teria sido o autor do assassinato de John F. Kennedy no dia 22 de novembro de 1963. Oswald viria a morrer dois dias depois, às mãos de Jack Ruby, gerente de casas de prostituição com ligações com a máfia, que o teria assassinado para ser visto como um herói nacional.

Em um dos documentos, com data de 24 de novembro de 1963, o diretor do FBI, Edgar J. Hoover, diz existirem provas de comunicações interceptadas entre Oswald, Cuba e a União Soviética.

Os mesmos documentos sobre a morte do então presidente dos Estados Unidos falam ainda em uma conspiração para assassinar Fidel Castro, na época, presidente de Cuba.

De acordo com esses ficheiros, houve reuniões com exilados cubanos que tentaram fixar um preço “pelas cabeças” de Fidel, do seu irmão Raul e ainda de Che Guevara. Os preços ficariam, depois de alguma negociação, nos 100 mil dólares pela cabeça de Fidel, 20 mil pela de Raul e outros 20 mil pela de Che.

Um outro ficheiro descreve a operação Bounty, que pretendia derrubar o governo cubano da época e lançar um sistema de recompensas financeiras para cubanos que eliminassem ou denunciassem comunistas.

Neste esquema, os valores variavam entre 57 mil e 100 mil dólares, sendo que Castro, “talvez por razões simbólicas”, poderia ser eliminado a troco de apenas dois centavos.

A CNN relata também os detalhes de um documento da Comissão Rockefeller, de 1975, sobre o papel da CIA em um plano para eliminar Fidel nos primeiros dias da administração Kennedy.

Na época, seu irmão Robert Kennedy, que era Procurador-Geral, teria contado ao FBI que a CIA estava entrando em contato com um intermediário com o propósito de contratar um atirador para matar o ditador cubano por 150 mil dólares.

Outros documentos descrevem planos para matar Fidel através de meios mais sutis, como envenenamento por comprimidos com botulismo.

Os documentos agora revelados também falam em festas de sexo e strippers, envolvendo o nome de personalidades famosas.

Um memorando do FBI revela que uma acompanhante de luxo de Hollywood teria sido abordada por um detetive privado sobre festas de sexo em que teriam participado John Kennedy, mas também seu cunhado, Peter Lawford, e os cantores Frank Sinatra ou Sammy Davis Jr. Na época, a mulher teria negado qualquer uma das “indiscrições” com que foi confrontada.

Os documentos falam também na suspeita, descrita em um memorando do FBI de 1964, de que o presidente Lyndon B. Johnson teria sido membro do Klu Klux Klan no Texas nos primeiros anos da sua carreira política.

A “ameaça comunista” nos EUA é mais um dos temas frequentes nos ficheiros já conhecidos. Além da existência de uma “lista negra de Hollywood”, que incluía nomes de suspeitos de pertencerem clandestinamente ao Partido Comunista, há ainda registro de vários tipos de vigilância que passavam, por exemplo, pela instalação de escutas em escritórios e zonas de trabalho.

Ciberia // ZAP

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