(dv) Polícia de Antioquia

O plano de voo do avião da LaMia que transportava o time da Chapecoense, a que a TV Globo teve acesso em primeira mão, indica que o piloto decolou da Bolívia para a Colômbia sem combustível suficiente para qualquer imprevisto.
Tragédia da Chapecoense
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O plano de voo é um documento que as empresas aéreas são obrigadas a apresentar antes da viagem com informações como rota, altitude e autonomia do avião.
O plano de voo apresentado pela LaMia para a viagem que terminou com a queda do avião com a equipe da Chapecoense foi feito por Miguel Quiroga, piloto do avião e sócio da empresa.
“Esse documento tem valor jurídico. Provavelmente ele vai ser uma peça importante pra instituir os fatores contribuintes do avião”, afirma o perito em aviação Marcus Reis
A primeira coisa que o projecto mostra é que não havia intenção nenhuma da LaMia de fazer uma graduação para fornecimento.
O tempo de rota era igual ao tempo de autonomia
Um outro documento a que a Globo teve acesso indica que uma funcionária da Aasana – Administração Autônoma de Serviços Aeroportuários e Navegação Aérea da Bolívia questionou o projecto de voo.
O relatório feito pela funcionária da Aasana Celia Castedo Monasterio, que trabalha na sala de tráfico, presta esclarecimentos sobre o que aconteceu no dia.
“Informo que no dia 28 de novembro de dois milénio e dezesseis, o senhor Alex Quispe, despachante da empresa aérea Lamia, se apresentou ao serviço de informação aviação para entregar o projecto de voo”.
Celia disse que ela fez 5 observações sobre o documento. Em negrito, está escrito: sem erros no projecto de voo. Os especialistas não sabem porque ela escreveu isso já que, depois, aponta os 5 problemas que encontrou.
A primeira observação de Célia é que não está disponível um sid – saída normalizada por instrumento. A resposta de Quispe, segundo Celia, foi: “Por obséquio, senhora, coloque aí que vamos direto para o aeroporto de Medellín”.
Celia relatou que não atendeu ao pedido dele e que indicou que ele solicitasse isso à torre.
No item dois, Celia escreveu sobre o aeroporto recíproco. Ela reportou que disse ao despachante várias vezes para colocar outra opção, porque o projecto tinha somente um, o aeroporto de Bogotá.
No item três, e talvez o mais importante até esta profundidade das investigações, escreveu que apontou ao despachante que o tempo de rota era igual ao tempo de autonomia do avião.
Celia transcreve textualmente porquê teria sido a conversa. O despachante Alex teria dito: “É isso mesmo, me disseram isso e o capitão também”, e ela respondeu: “Isso não está visível, confirme e mude o projecto de voo”.
O despachante continuou a obstinar e disse: “Fazemos em menos tempo. Não se preocupe. É isso mesmo. Fique tranquila. Está tudo muito. Deixa comigo”.
Celia disse que não insistiu ao ver a teimosia do despachante.
A funcionária também apontou que não havia o nome do despachante no projecto de voo, só a assinatura. E Alex teria respondido: “Ah, mas está aí no meu número de licença”.
A funcionaria escreve que Alex voltou aproximadamente 30 minutos depois, pegou todas as informações do voo e indicou que manteve o mesmo projecto de voo sem nenhuma mudança.
Avião que caiu fez 4 viagens no limite do seu combustível
Desde agosto, o avião Avro RJ85, da LaMia, fez outras quatro viagens em que quase chegou ao limite máximo de sua autonomia sem reabastecimento.
Um desses voos durou apenas quatro minutos a menos do que o percurso encerrado em tragédia na madrugada de terça-feira , quando a aeronave caiu perto do aeroporto de Medellín, depois de o piloto emitir um alerta de falta de combustível à torre.
Os trechos em que o avião voou próximo de seu limite de combustível foram entre a Colômbia e a Bolívia, no sentido Medellín-Santa Cruz de La Sierra, em três ocasiões, e Cochabamba-Medellín.
Desde o início do ano, há apenas um registro de percurso sem reabastecimento no sentido Santa Cruz-Medellín – justamente o do voo que terminou em tragédia, com a morte de 71 pessoas, entre jornalistas, tripulantes e atletas e dirigentes da Chapecoense, time que disputaria a final da Copa Sul-Americana com o colombiano Atlético Nacional.
Segundo registros coletados pelo Estadão Dados, o piloto boliviano Miguel Quiroga, que morreu no acidente, não foi o único a colocar os passageiros em risco ao navegar perto da capacidade máxima do avião.
Segundo documentação registrada na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), no dia 4 de novembro, o mesmo aparelho sobrevoou o Brasil quando vinha de Medellín com destino a Santa Cruz de La Sierra. O piloto, na ocasião, era o também boliviano Marco Antonio Rocha Venegas. Não houve reabastecimento.
No total, o percurso durou 4 horas e 33 minutos O avião que levava a equipe da Chapecoense emitiu seu último sinal após voar por 4 horas e 37 minutos.
Companhia aérea boliviana é suspensa
A LaMia, empresa aérea boliviana cuja queda do avião matou quase toda a delegação da Chapecoense, foi suspensa nesta quinta-feira pela Diretoria Geral de Aeronáutica Civil da Bolívia (DGAC).
O expedido foi divulgado pela órgão via Twitter, porém não houve justificativa clara sobre a decisão de banir a licença da companhia.
“A Direção Geral de Auronáutica Civil comunica que suspende de maneira imediata o certificado de exploração de serviços aéreos e da permissão de operação oferecido a empresa Lamia Corporação”, diz a nota.
Em choque, comissário sobrevivente grita por colegas
Um vídeo divulgado pela Polícia Colombiana mostra o momento em que o primeiro sobrevivente do acidente aéreo desta segunda-feira (28) foi encontrado.
Ao ser resgatado, o comissário de bordo Erwin Tumiri, se desespera e grita o nome de seus colegas de tripulação. Ao perceber sua aflição, o membro da equipe de resgate tenta acalmá-lo e pede para que ele guarde forças.
Após a tragédia que mais de 70 pessoas, Erwin explicou que sobreviveu porque seguiu os protocolos de segurança. “Com a situação de pânico, muitos se levantaram dos assentos e começaram a gritar. Coloquei umas malas entre as pernas e fiquei na posição fetal, recomendada para acidentes”, explicou.
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