Loira famosa, 35 anos, candidata a presidente: traição a Putin ou uma farsa?

Maxim Shipenkov / EPA

Ksenia Sobchak na coletiva de imprensa para a apresentação da sua candidatura

A recém-anunciada candidatura da apresentadora de televisão Ksenia Sobchak às eleições presidenciais russas de março de 2018 provocou grande repercussão nas redes sociais.

Apesar da sua fama, ao ouvir o nome Ksenia Sobchak a maioria dos russos lembra-se primeiro do pai da celebridade, Anatoly Sobchak, ex-prefeito de São Petersburgo, considerado o mentor de Vladimir Putin e o homem que o ajudou a se transformar no “todo-poderoso” presidente da Rússia.

Ksenia, que nasceu em 1981, em Leningrado, conhece Putin desde criança. Mas quando, após as eleições de 2011 para o parlamento russo, Moscou e outras cidades do país foram sacudidas por manifestações massivas contra os resultados da votação, Ksenia era um dos rostos do protesto. A jovem exigiu reformas, transparência e o “fim da corrupção”.

Nos últimos anos, Ksenia ganhou peso entre os opositores a Putin, e de outubro de 2012 a outubro de 2013, foi membro do Conselho de Coordenação da Oposição russa.

Há no entanto quem não acredite totalmente na “traição” da jovem apresentadora ao amigo do pai, considerando que Ksenia é apenas uma “idiota útil” e que sua candidatura não é mais do que uma manobra de Putin para dividir o eleitorado da oposição.

Nesta terça-feira (24), Ksenia Sobchak assegurou que nas eleições de março de 2018 irá conquistar o voto dos “indignados” e que se Navalny puder se candidatar, se afasta da corrida.

“A minha missão é estabelecer as minhas regras do jogo para que estas eleições se transformem em uma autêntica votação popular“, disse a famosa jornalista numa concorrida coletiva de imprensa em um teatro de Moscou.

No seu primeiro aparecimento público desde que anunciou a candidatura na semana passada, Ksenia começou com um pedido para a libertação dos presos políticos que existem no país.

“Quero começar esta coletiva de imprensa com um pedido para a libertação dos presos políticos e o fim da perseguição ilegal de pessoas inocentes, que acontece apenas pelas suas posições políticas”, afirmou Ksenia.

A apresentadora também deixou clara a sua posição sobre o assunto da Crimeia ao afirmar que, “segundo o direito internacional, a Crimeia é da Ucrânia”. Porém, um dos temas que mais interessava aos jornalistas era a opinião de Ksenia sobre o presidente Vladimir Putin, que ainda não confirmou se irá se candidatar novamente.

Putin salvou a vida do meu pai“, disse Sobchak. Por isso, acrescenta a apresentadora, “não vou insultar Putin como pessoa, mas isto não significa que esteja de acordo com tudo o que o Putin político faz”.

Ksenia nega as alegações de que é uma candidata lançada pelo Kremlin para dividir os votos da oposição e dar legitimidade a uma eleição sem Navalny na corrida.

A candidata admitiu que falou pessoalmente com Putin e o informou do programa da sua candidatura, no qual promete que vai reunir o voto dos descontentes e indignados, para fazer frente ao presidente nas eleições do próximo ano.

Ksenia afirma até que se candidata em nome de Navalny, garantindo que se afasta caso ele seja autorizado a se candidatar. O líder da oposição, que cumpre mais uma pena de prisão, desta vez por organizar manifestações não autorizadas, foi condenado por fraude na semana passada e está, para já, impedido de concorrer.

Mas pouco antes de a “loira mais famosa da Rússia” apresentar sua candidatura, Navalny a chamou de uma “celebridade que anda à pesca de likes nas redes sociais“, considerando que a ex-amiga de Putin é uma “caricatura” que serve apenas para dar a ilusão de legitimidade a uma eleição que considera ser uma farsa.

A ideia do Kremlin é muito simples“, diz Navalny a seus seguidores no YouTube, “eles precisam de um candidato caricatura, especialmente se quiserem me impedir de concorrer. Vão dizer que não posso me candidatar porque sou um criminoso extremista, e vão dizer mas olhem, está aqui Ksenia Sobchak, que diz tudo o que a oposição quer ouvir“.

Uma traição a Putin, ou uma manobra maquiavélica do presidente russo? O tempo o dirá.

Ciberia // RFERL / EFE / ZAP

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