Marcos Oliveira / Agência Senado

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta terça-feira (17) que há uma “campanha de inquisição” contra os venezuelanos, comparando a situação à perseguição dos judeus liderada pelo ditador Adolf Hitler.
De acordo com Maduro, países como Brasil, Colômbia, Panamá, Argentina, Equador e Peru fazem parte da suposta campanha contra o povo venezuelano.
“As oligarquias midiáticas destes países iniciaram uma campanha de inquisição que eu comparo, e peço desculpas se alguém se incomoda com a comparação, com a perseguição de Hitler contra o povo judeu, que terminou com 6 milhões de judeus mortos”, disse.
Em entrevista coletiva, Maduro disse que os venezuelanos que migraram para Buenos Aires, Lima e Quito foram escravizados, enquanto os que foram para Roraima, Colômbia e Panamá têm sido perseguidos.
“Muitas das coisas que dizem sobre a Venezuela e sobre os venezuelanos nestes países, de forma inocente, foram ditas sobre os judeus: “os venezuelanos são culpados disso, daquilo, os venezuelanos são culpados de tudo“, exemplificou.
Para Maduro, na Colômbia está sendo feita uma “campanha diária” de xenofobia, ódio e desprezo contra os venezuelanos. O presidente culpou também as agências internacionais e as redes sociais pela “campanha” contra o país.
O governante disse que todos os que falam de uma “crise migratória” citam a mesma fonte “não identificada” do Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), afirmando que é uma crise “criada”.
Dados divulgados pela ONU indicam que 2,3 milhões de venezuelanos fugiram do país natal desde 2014, devido à grave crise econômica do país, rumo ao Brasil, Colômbia, Equador e Peru. O governo venezuelano negou esse êxodo e, segundo Maduro, estas são “campanhas de mentiras que têm um objetivo: interferir na Venezuela”.
Na semana passada, Maduro insistiu que é alvo de uma campanha internacional enganadora, que tem como propósito justificar uma intervenção militar e política.
O presidente da Venezuela negou reiteradamente a crise do país, afirmando que há venezuelanos que se deixam seduzir por essa campanha e abandonam o país devido à crise econômica, mas que migram de bolsos “cheios de dólares”.