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Anne Frank tentou esconder duas páginas de seu diário que continham piadas “picantes” de “referência sexual”, ao colocar papel marrom sobre as páginas do seu caderno vermelho e branco.
Especialistas revelaram o texto escondido com a utilização de novas tecnologias, anunciaram a Casa de Anne Frank e duas outras instituições culturais holandesas na terça-feira (15), de acordo com o New York Times.
A adolescente judia, que viveu dois anos escondida dos nazistas em um anexo durante a Segunda Guerra Mundial, teria camuflado duas páginas por conterem conteúdo sensual que a adolescente não quereria que o pai descobrisse.
“Às vezes imagino que alguém poderia vir até mim e me pedir que o ensinasse sobre matérias sexuais”, escreveu Frank. “Como eu faria isso?”. A adolescente tenta depois dar uma resposta à pergunta colocada, dirigindo-se a um ouvinte imaginário em tom sublime, usando frases como “movimentos ritmados” para descrever sexo, e “medicamentos internos” para se referir à contracepção.
Anne Frank aborda também a menstruação, que considera um sinal de que “está madura”, e a prostituição: “em Paris, eles têm grandes casas para isso”.
Peter de Bruijn, um dos pesquisadores que fez a descoberta, diz que as páginas não são importantes pelo seu conteúdo sexual, uma vez que a adolescente explora matérias semelhantes em outras partes do diário, por vezes até com termos mais explícitos. Por outro lado, essa é uma descoberta importante porque mostra a primeira tentativa de Frank de escrever em tom mais literário.
“Ela começa com uma pessoa imaginária com quem fala sobre sexo, por isso, a adolescente cria um ambiente literário para escrever sobre um tema com o qual ela não estaria muito à vontade”, disse o pesquisador.
Ronald Leopold, o diretor da Casa de Anne Frank, diz que essa é uma descoberta “muito interessante que acrescenta significado ao diário”.
Às páginas onde a adolescente escreveu sobre educação sexual, Anne Frank acrescentou ainda quatro piadas picantes que conhecia. “Sabem por que as meninas das Forças Armadas Nazistas estão na Holanda? Para servirem de colchões aos soldados”, era uma delas.
As entradas do diário foram escritas em 28 de setembro de 1942, pouco tempo depois de Anne ter se escondido com a família. “Vou usar essa página estragada para escrever piadas picantes“, escreveu, então com 13 anos, na página que contém ainda algumas frases riscadas.
Sobre a decisão de publicar páginas que a adolescente judia claramente queria manter escondidas, a Casa de Anne Frank, em Amsterdã, disse que o diário, classificado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, tem um significativo interesse acadêmico.
Ciberia // ZAP