Boris Johnson avisa: Reino Unido ainda vai acabar como “colônia” da União Europeia

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O ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Boris Johnson

O ministro da Saúde do Reino Unido foi nomeado, nesta segunda-feira (9), ministro dos Negócios Estrangeiros, na sequência da renúncia de Boris Johnson, anunciou o gabinete da primeira-ministra, em Downing Street.

“A rainha tem o prazer de aprovar a nomeação (…) de Jeremy Hunt como ministro dos Negócios Estrangeiros e da Commonwealth”, anunciaram os serviços da primeira-ministra.

Jeremy Hunt tinha apoiado a manutenção do Reino Unido na União Europeia.

Boris Johnson anunciou a sua renúncia nesta segunda, horas depois de o ministro para o Brexit, David Davis, também ter renunciado.

A demissão de Boris Johnson aumenta a pressão sobre a primeira-ministra, Theresa May, alvo de críticas de alguns deputados a favor de um “divórcio” mais radical com a UE.

“O governo agora tem uma música para cantar. O problema é que eu pratiquei a letra no fim de semana e descobri que as palavras ficam na minha garganta. Nós devemos ter responsabilidade coletiva. Como não posso, em consciência, defender essas propostas, concluí com tristeza que devo sair“, escreveu Boris Johnson na sua carta de renúncia.

Johnson se referia à proposta que foi anunciada na sexta-feira (6) de criação de uma zona de comércio livre de bens entre o Reino Unido e a UE ao se comprometer a manter as mesmas regras para bens e produtos agrícolas, a qual criticou por trair o espírito do Brexit.

Estamos agora na posição ridícula de afirmar que devemos aceitar imensas leis europeias da UE, sem alterar uma vírgula, porque é essencial para a saúde da nossa economia – e quando já não temos qualquer capacidade de influenciar a forma como essas leis são feitas. Nesse aspecto, nos encaminhamos para o estatuto de colônia – e muitos vão ter dificuldade em ver as vantagens econômicas ou políticas desse acordo especial”, considera.

Na sua opinião, ao “renunciar ao controle” do que designa como “‘livro de regras’ para bens e produtos agroalimentares”, Boris Johnson diz que “será muito mais difícil fazer acordos de comércio livre”.

“E depois há o problema adicional de ter que defender um acordo alfandegário impraticável e não concretizável, diferente de qualquer outro existente”, acrescenta.

May alega que o plano aprovado na sexta, depois de uma reunião de 12 horas, é uma solução para conseguir respeitar os acordos de paz de 1998 para a Irlanda do Norte.

“A circulação de bens sem fricções é a única maneira de evitar uma fronteira entre a Irlanda do Norte e a Irlanda, e entre a Irlanda do Norte e Reino Unido, e a única forma de proteger as cadeias de valor integradas e os processos rápidos dos quais milhões de empregos e meios de subsistência dependem”, afirmou Johnson no parlamento.

Vários deputados que apoiam o Brexit também se manifestaram insatisfeitos com o plano, mas por enquanto ainda não foi iniciado nenhum processo para forçar a demissão de Theresa May.

Faltam menos de nove meses até que o Reino Unido efetue a saída da União Europeia em 29 de março de 2019, cujas negociações sobre os termos do divórcio e do relacionamento posterior estão em impasse.

As duas partes tinham indicado outubro como o fim do prazo para um entendimento sobre o acordo, para que possa ser ratificado pelos diferentes parlamentos nacionais dos 27.

Ciberia, Lusa // ZAP

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