Serena Williams perde a cabeça, culpa sexismo e ofusca estrela em ascensão

Jason Szenes / EPA

Serena Williams foi multada em 17 mil dólares depois de ter recebido três advertências do árbitro português Carlos Ramos na final do US Open, frente à japonesa Naomi Osaka – uma nova campeã em ascensão, que saiu ofuscada pela intempestividade da adversária.

Serena Williams está, indiscutivelmente, na ordem do dia. A tenista norte-americana, uma das mais vitoriosas tenistas da história do esporte e por muitos considerada a maior tenista da história, voltou a dar o que falar depois de ter jogado a final do US Open, frente à japonesa Naomi Osaka.

O encontro polêmico colocou frente a frente uma supercampeã poderosíssima no mundo do tênis profissional e uma jovem talentosa com apenas 20 anos. Se muitos esperavam uma partida emocionante entre duas excelentes jogadoras separadas pela reputação, Serena entrou para mostrar que, o que muitos esperavam, ficava muito aquém daquilo que a tenista tinha para dar. E não falamos apenas de esporte.

Que Serena pisou na quadra com uma atitude titânica, ninguém duvida. Aliás, grande parte das mãos de quem assistia à final feminina do Open dos Estados Unidos já se preparavam para aplaudir aquela que, provavelmente, é a maior jogadora de tênis de todos os tempos. Mas a caixinha de surpresas – mascarada de Serena Williams – voltou a nos surpreender.

O primeiro set da partida foi totalmente dominado por Osaka (6-2), que atropelou Serena ao contrário do que muitos estavam à espera, aproximando-se assim do título de campeã. O tênis, incutido pelo pai, se entranhou de tal forma na tenista que, aos 20 anos, ainda se nota à flor da pele.

Ainda assim, a timidez assumida por causa da idade e a impotência da adversária, fez com que Naomi se posicionasse abaixo de Serena, ainda que a vitória do primeiro set tenha sido o aroma mais presente naquele momento. Já o olfato de Serena se tornou insípido. Mais uma surpresa.

A supercampeã entrou no segundo set determinada, apesar de marcada pelos arranhões – ainda inofensivos – de Osaka. Foi aqui que Patrick Mouratoglou entrou em cena para desencadear o início de uma tempestade, da qual ninguém saiu ileso.

Mouratoglou, treinador de Serena Williams, fez sinais à jogadora que não passaram despercebidos a Carlos Ramos. O árbitro português acabou por presentear a tenista norte-americana com uma advertência.

E se Serena já estava incomodada com a vitória da inexperiente Osaka, o presente envenenado de Carlos Ramos só a deixou ainda mais chateada.

O gesto do treinador pode até ter passado despercebido em campo, mas os olhos atentos de quem assistia à partida no conforto do sofá não deixaram escapar esse “pequeno” deslize proibido. No fundo, Osaka esmagava Serena, Mouratoglou tentou salvar seu prodígio com indicações que, por terem sido muito notórias, acabaram por prejudicar a supercampeã.

Atento, Carlos Ramos não deixou escapar e advertiu a norte-americana por receber instruções do treinador. Serena negou ter feito “fraude”, mas as palavras da esportista só tornavam o jogo constrangedor e ainda mais difícil de assistir.

Ver alguém fazer uma tempestade dentro de um copo d’água e negar aquilo o que nossos olhos viram, revolta: ainda mais se esse alguém se chamar Serena Jameka Williams.

Está ofendendo o meu caráter e me deve um pedido de desculpas. É um mentiroso. Nunca mais vai arbitrar um encontro meu na vida. Pede desculpa. Você me roubou um ponto e é um ladrão“, atirou Serena, claramente incomodada não com a advertência, mas com a majestosa raquete da adversária.

A raiva parece ter despertado em Williams, que, ainda mais motivada, quebrou o serviço da adversária para 3-1 – o único break-point que Osaka perdeu dos 22 que enfrentou nas últimas três rodadas do Open (seis na final).

No entanto, o combustível de Serena acabou e duas faltas duplas contribuíram para o break de Naomi Osaka. Irritada, Serena acabou por descarregar na raquete, violando (pela segunda vez) o código de conduta (“racquet abuse“). Como, ao que parece, não tinha percebido que tinha levado uma advertência anteriormente, desatou a reclamar com o árbitro. O resultado foi a perda do primeiro ponto do sexto jogo.

Serena protestou, protestou e voltou a protestar, mas acabou por ceder o quarto break. Na troca de campo após o 3-4, o pesadelo já se aproximava do fim, a tenista continuou a lançar fortes acusações a Carlos Ramos, lhe chamando de “mentiroso” e “ladrão“. As acusações colocaram a integridade do árbitro em questão, que não teve outra opção senão aplicar uma nova violação do código de conduta (“verbal abuse”).

Feitas as contas, a terceira advertência resultou em um castigo proporcional: um jogo de penalização. Osaka passou assim a liderar por 5-3 e, dois sets depois, serviu para fechar com glória o encontro.

Naomi Osaka se consagrou campeã, mas Serena Williams assombrou sua primeira vitória no Grand Slam. A jovem chorou, mas não de felicidade: Osaka esmagou Serena no 1º set, em um momento em que se consagrar campeã nunca esteve tão perto de se tornar realidade.

Quando finalmente se tornou real e entrou na maior quadra de tênis do mundo para receber a taça, viu seu esforço ser recompensado com o drama de Serena. E, como se não bastasse, foi vaiada.

A vitória da jovem japonesa foi ofuscada por Serena Williams, que se queixou da “decisão sexista” do árbitro português. “Ainda não tive tempo de digerir tudo isso. Foi uma decisão sexista, eu não fiz fraude. Esse árbitro nunca infligiu esse tipo de penalidade a um homem que o tenha chamado de ladrão”, acusou.

Serena pegou um argumento sem nexo, reciclando uma luta antiga no tênis: a igualdade de gênero. Todavia, o que a tenista ignorou foi o fato de todas as infrações terem sido em flagrante, visíveis e audíveis para as 24 mil pessoas presentes no Estádio Arthur Ashe, em Flushing Meadows, Nova York, e para as milhões que assistiam ao drama através da televisão.

Vasco Costa, fonte ligada à modalidade lembrou ao Diário de Notícias que Carlos Ramos construiu a fama de “rigoroso”, independente de quem tem pela frente – seja mais poderoso, seja homem, seja mulher. “Ele já arbitrou as finais de todos os Grand Slam, da Taça Davis e da Fed Cup. Tem que ser rigoroso, ou não o indicavam para finais dos mais importantes torneios do mundo”, disse Costa.

Com efeito, informa o Record, Carlos Ramos já mostrou pulso firme em outras ocasiões, em encontros do circuito masculino, e com grandes nomes do tênis mundial, como Rafael Nadal, Andy Murray ou Novak Djokovic.

O furacão Serena – o mesmo que, com sua varinha de condão e uns pozinhos de dramatismo, transformou as lágrimas de Osaka em lágrimas de desilusão em um dos momentos mais importantes da vida da jovem japonesa – viu sua reputação manchada, sua atitude comentada em praça pública e sua carteira encolher.

As advertências sairão caro a Serena Williams: a primeira vai lhe custar 4 mil dólares, a segunda 3 mil e a terceira, a mais grave, 10 mil, num total de 17 mil dólares. Conclusão: a única a sair ilesa do incêndio de bolas e redes foi a simpática e vitoriosa raquete de Osaka.

Ciberia // ZAP

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