“Transformem meu velório num grande comício”, diz Jean Wyllys

Marcelo Camargo / Agência Brasil

Jean Wyllys

Jean Wyllys

Na noite desta segunda-feira (6), políticos, artistas e cidadãos que defendem o deputado federal Jean Wyllys e são contra a possível suspensão de seu mandato, pelo período de 4 meses, por ter cuspido no deputado Jair Bolsonaro (PSC) irão realizar um ato em sua defesa no Clube Municipal da Tijuca, no Rio de Janeiro. 

Em texto cheio de ironias, publicado na sua página do Facebook, o psolista declarou que os meios de comunicação nunca deram oportunidade para que ele destacasse seus projetos políticos e nem que se explicasse do que chamou de mentiras inventadas.

“E sabendo que, antes, eles usaram todo o seu arsenal para me difamar e destruir minha honra e minha reputação, sabendo disso, façam, do meu velório, um enorme ato público, aproveitando as mídias sociais e as novas tecnologias da comunicação para apresentar, às pessoas, uma contra-narrativa que possa levar a verdade a elas”.

Jean também disse existem “hipócritas” que não assumem o ódio e nem seus preconceitos.

“Um ato político pode ser pior que o ódio e a maldade que eles praticaram contra mim. Se, por acaso, isso tudo acontecer comigo, como aconteceu à dona Marisa Letícia e sua família, façam como o fez Lula: façam do meu velório um ato político“.

“Não são só os sabujos da imprensa e os golpistas falsamente sentidos que poderão explorar politicamente minha morte; antes deles, quem conviveu comigo e sabe que a política foi parte da minha vida tem muito mais direito de fazer, de meu velório, um ato político contra os canalhas que me destruíram e destruíram o país”, desabafou Wyllys.

O deputado citou polêmicas envolvendo a morte da esposa do ex-presidente Lula.

“Se, por acaso, eu morrer depois de dias numa UTI do Sírio-Libanês ou de qualquer outro hospital em que médicos vazaram dados de meu prontuário para fins de deboche em grupos de WhatsApp e sugeriram formas de me matarem na mesa de cirurgia, enquanto fascistas de merda, leitores da Veja, audiência da Globonews, ignorantes motivados e outras bestas insensíveis e egoístas me insultam nas redes sociais; se, por acaso, isso acontecer, por favor, transformem meu velório num grande comício”.

Não sejam discretos como exigem as “pessoas de bem” que odeiam homossexuais e acham que preto pobre e favelado é bandido. Não cedam ao falso moralismo burguês de quem cobra “recato” em velório enquanto me insulta e desejou a minha morte apenas porque, em vida, divergi politicamente dele e de seu pensamento torto, de quem acha que velório não é lugar de política, mas fez “comício” em cada postagem sobre meu estado de saúde e sobre a minha família”, acrescentou.

Jean cuspiu em Jair Bolsonaro, no dia 17 de abril, durante a sessão que aprovou o impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Ele disse que foi vítima de preconceito no qual Bolsonaro o teria chamado de “veado” repetidamente.

“Estou muito comovido pelas declarações, ligações, cartas e e-mails de solidariedade que tenho recebido nas últimas semanas, de pessoas das mais diversas identidades políticas e sociais que se manifestaram contra a suspensão do nosso mandato”, disse.

“Foram milhares de cidadãos e cidadãs, colegas do parlamento, representantes de organizações sociais e movimentos de direitos humanos, artistas, jornalistas e até lideranças políticas e sociais de outros países que me fizeram saber que não estou sozinho”, agradeceu Jean.

 

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5 COMENTÁRIOS

  1. Falou tudo, Carlos Alberto. Não dá para respeitar esse “deputado” Big Brother cuspidor.
    Se ele quer ser um parlamentar, tem que aprender a discutir com civilidade, e não como um moleque ridículo e malcriado.

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