Primeira vacina contra malária aprovada pela OMS poderá evitar 400 mil mortes ano

A OMS, Organização Mundial da Saúde aprovou, nesta quarta-feira, 6, a primeira vacina contra malária da história.

A aprovação é importante porque a cada dois minutos, uma criança morre de malária no mundo, segundo a OMS. A doença transmitida por mosquitos mata mais de 400 mil pessoas por ano – principalmente crianças do continente africano.

“O uso desta vacina, além das ferramentas existentes para prevenir a malária, poderia salvar dezenas de milhares de vidas de menores a cada ano”, lembrou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado em um comunicado.

“É um momento histórico. A tão esperada vacina contra a malária para as crianças é um grande avanço para a ciência, a saúde infantil e o combate à malária”, declarou.

Os testes clínicos de fase 3 demonstraram que a vacina, quando administrada em 4 doses, previne 4 em 10 casos de malária e 3 em 10 casos da variante que ameaça a vida.

Eficaz nos testes

Fabricada pela gigante farmacêutica britânica GSK, essa é a primeira vacina (e a única até agora) que demonstrou ser eficaz em reduzir significativamente o número de casos de malária, incluída a variante grave e potencialmente mortal em crianças.

Os resultados do teste-piloto demonstraram que “reduz significativamente a malária em sua forma grave em 30%”, declarou Kate O’Brien, diretora do departamento de vacinação da OMS.

Em maio de 2018, as autoridades reguladoras de Gana, Quênia e Malauí autorizaram seu uso em algumas áreas.

Salvar vidas

Para o continente africano, onde a malária mata mais de 260 mil crianças de menos de cinco anos todo ano, essa vacina é sinônimo de esperança, principalmente porque teme-se que esta doença, também conhecida como paludismo, torne-se cada vez mais resistente aos tratamentos.

“Durante séculos, a malária assolou a África Subsaariana e causou imensos sofrimentos pessoais”, declarou Matshidiso Moeti, diretor regional da OMS para a África.

A vacina

A RTS,S/AS01 é uma vacina que age contra o parasita Plasmodium falciparum transmitido pelo mosquito mais mortal do mundo e frequente na África.

A doença é provocada por cinco espécies de parasitas do tipo Plasmodium, todos eles transmitidos por mosquitos. O Plasmodium falciparum é o mais patogênico e responsável pelos casos fatais.

A malária, da qual se tem registro desde a Antiguidade, manifesta-se através de febre, dores de cabeça e musculares, seguidas de outros sintomas cíclicos como calafrios, aumento da temperatura corporal e sudorese.

“Faz tempo que esperávamos uma vacina contra a malária eficaz e agora, pela primeira vez, temos uma recomendada para uso generalizado”, destacou Moeti.

Desde 2019, um programa-piloto foi implementado em três países da África Subsaariana (Gana, Quênia e Malauí), que introduziram a vacina em várias regiões onde foram administradas mais de dois milhões de doses.

Financiamento da vacina

Para uma implementação em massa, a vacina necessita de financiamento.

A Aliança para as Vacinas (Gavi) anunciou que examinará “se e como financiar um novo programa de vacinação contra a malária nos países da África subsaariana”, em comunicado publicado após o anúncio da OMS.

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