Brasileiras viajam o mundo em busca de mulheres empreendedoras com ações impactantes

Percorrer os cinco continentes para encontrar inspiração se tornou a missão de vida de Fernanda Moura e Taciana Mello. As brasileiras viajam o mundo em busca de mulheres empreendedoras com ações impactantes ao seu arredor.

O projeto The Girls on the Road completou um ano na estrada, cheio de boas histórias para contar. Até o momento, a dupla já percorreu nos Estados Unidos, Canadá, México, Japão, Coreia do Sul, China, Cingapura, Malásia, Austrália, Nova Zelândia, Chile, Cuba e Alemanha. Agora seguem rumo para outros cantos, incluindo Islândia, Noruega, Rússia, França, Líbano, Irã, Israel, Quênia, Etiópia, Tanzânia, África do Sul e Botswana no planejamento.

As vivências com empreendedorismo feminino tem como objetivo criar uma rede de empreendedoras que se inspirem e se apoiem.

“A gente acredita que trazendo mais histórias sobre mulheres é possível não apenas engajar outras mas também impactar futuras gerações. O equilíbrio que nós e tantas outras iniciativas buscam somente será alcançado quando houver uma mudança profunda de mentalidade. Nós acreditamos que parte dessa mudança passa necessariamente por mostrar o papel da mulher construindo negócios e contribuindo para a economia de seus países”, contaram em entrevista ao RPA.

Não por acaso, as duas migraram do meio corporativo para o meio empreendedor. Depois de passarem por multinacionais, estavam com aquela inquietude que aponta para a mudança, de país, ares, perspectivas, desafios e problemas.

Os ventos sopraram rumo à Califórnia e o contato com o Vale do Silício, onde estão gigantes como o Google, Facebook, Apple e Airbnb, despertaram o interesse pelo o que faz essa região ser tão peculiar e passaram a frequentar aulas abertas, eventos e reuniões voltados para startups.

Como o público masculino domina esse mercado, seguindo pelos dados que apontam uma média de apenas 30% de mulheres dentro de cada uma das empresas citadas no Vale do Silício, elas se incomodaram com tal realidade.

“Não demorou muito para perceber a falta de mulheres fundadoras de empresas. Foi um pouco frustrante perceber que mesmo lá a desigualdade entre os gêneros é bastante presente. Talvez tenha sido ingênuo de nossa parte pensar que seria diferente, mas o efeito dessa constatação fez com que a gente se lançasse a pesquisar mais sobre o assunto”, relataram.

Foi a partir daí que o incômodo se transformou em motivação e o Projeto Founders veio à tona. O processo passou de curiosidade para uma paixão, rodeada de questionamentos. “Onde estão as mulheres e o que a gente poderia fazer? Para achar respostas colocamos o pé na estrada e desde julho do ano passado temos encontrado pessoais e histórias incríveis e sendo profundamente impactada por elas”, dizem.

Em cada país visitado, Fernanda e Taciana passaram a conhecer mulheres que têm rompido barreiras, enfrentado os diversos “nãos” que são jogados diariamente, desafiado os modelos existentes e construído negócios que têm impactado a sua comunidade.

É interessante notar o quanto o cenário é mais amigável em países nos quais as iniciativas de apoio e desenvolvimento são mais estruturadas e mais amadurecidas, com resultados consistentes. Por experiência própria, ela citam como exemplo o Canadá, a Austrália, a Noruega, o Chile, o Cingapura e o Líbano.

Enquanto isso, no Brasil, constatam que falta, assim como em outras nações, uma mudança de atitude e estrutura.

Desafios como sexismo, misoginia, desconfiança nas suas capacidades e dificuldade em levantar investimento podem existir em qualquer lugar do planeta, porém elas destacam que isso não impede as mulheres de começar ou continuar suas jornadas nos negócios.

“Não há diferença na garra e determinação das brasileiras em comparação com as estrangeiras. O Brasil conta com um ecossistema em desenvolvimento com organizações de fomento ao empreendedorismo, redes de mulheres, mecanismos de acesso a recursos financeiros (investidores anjos, aceleradoras e etc), que se equipara a vários países que passamos”, afirmam.

Independente do país, elas afirmam que sua atenção se volta para como as mulheres têm se estruturado para apoiar outras empreendedoras, não apenas com inspiração, mas como mentoras, investidoras, auxiliando na expansão das redes e acesso à mercados.

“É óbvio que para mudanças duradouras, é necessário um trabalho conjunto, sem distinção de gênero, mas para muitas mulheres que estão começando, essas estruturas se mostram muito importantes. E o que mais tem nos inspirado é que apesar de todas as dificuldades, elas têm seguido em frente. Por isso é tão fundamental contar essas histórias”, acreditam.

A sororidade se torna fundamental especialmente quando falamos em maternidade e profissão. Para as mulheres que são mães e, por consequência, têm uma dificuldade maior de arrumar emprego e empreender, precisam dividir as responsabilidades para se estruturarem melhor.

“Entretanto, um aspecto importante é entender que haverá momentos que será mais importante atender a uma reunião do que buscar os filhos na escola e não se deixar consumir pelo sentimento de culpa. Várias empreendedoras que entrevistamos disseram que se tornaram melhores mães porque eram felizes no seu trabalho“, disseram.

Para que as mulheres cresçam e evoluam é preciso de coletividade e colaboração, incluindo os homens, que precisam parar de questionar ou colocar à prova a capacidade, habilidade e comprometimento feminino.

“Devemos nos concentrar no óbvio, mas absolutamente fundamental: homens e mulheres são diferentes. Entretanto, isso não quer dizer que nós, mulheres, sejamos menos capazes. Reconhecer que homens e mulheres são diferentes é o primeiro passo e, mais importante ainda, notar que a igualdade que se busca é de oportunidades, desafios, remuneração, possibilidades, participação e voz ativa”, finalizam.

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