Crânio de ‘primo’ dos humanos de 2 milhões de anos traz novas pistas sobre evolução

(dr) Jesse Martin e David Strait

Pesquisadores australianos dizem que a descoberta de um crânio de dois milhões de anos na África do Sul lança mais luz sobre a evolução humana.

O crânio era de um Paranthropus robustus macho, uma “espécie prima” do Homo erectus — uma espécie que se pensava ser ancestral direto dos humanos modernos. As duas espécies viveram na mesma época, mas o Paranthropus robustus deapareceu mais cedo.

A equipe de pesquisa disse que a descoberta é emocionante. “A maior parte do registro fóssil é apenas um único dente aqui e ali, então ter algo assim é muito raro, muita sorte”, disse Angeline Leece à BBC.

Os pesquisadores, da Universidade La Trobe de Melbourne, encontraram os fragmentos do crânio em 2018 no sítio arqueológico Drimolen ao norte de Johanesburgo.

Os arqueólogos então passaram os últimos anos juntando peças e analisando o fóssil. Suas descobertas foram publicadas na revista Nature, Ecology and Evolution na terça-feira (10/11).

O co-pesquisador Jesse Martin disse à BBC que manusear as peças fósseis é como trabalhar com “papelão úmido”, acrescentando que usou canudos de plástico para sugar os últimos vestígios de sujeira deles.

Ele foi descoberto a poucos metros de um local onde um crânio de criança Homo erectus com idade semelhante havia sido descoberto em 2015.

‘Espécies concorrentes’

Acredita-se que três espécies de hominídeos (criaturas semelhantes aos humanos) viveram na África do Sul ao mesmo tempo, competindo entre si.

A descoberta do crânio seria um raro exemplo de “microevolução” dentro da linhagem humana, disse Martin.

Paranthropus robustus tinha dentes grandes e cérebros pequenos, diferindo do Homo erectus, que tinha cérebros grandes e dentes pequenos. Acredita-se que a dieta do primeiro envolveu comer principalmente plantas duras, como tubérculos e casca.

“Com o tempo, o Paranthropus robustus provavelmente evoluiu para gerar e suportar forças superiores produzidas durante a mordida e a mastigação de alimentos que eram difíceis ou mecanicamente desafiadores de processar com suas mandíbulas e dentes”, disse Leece.

Os cientistas disseram que é possível que um ambiente mais úmido causado pela mudança climática possa ter reduzido a quantidade de alimentos disponíveis para eles.

Enquanto isso, o Homo erectus, com seus dentes menores, tinha maior possibilidade de comer tanto plantas quanto carne.

“Essas duas espécies muito diferentes (…) representam experimentos evolutivos divergentes”, disse Leece.

“Embora sejamos a linhagem que venceu no final, há dois milhões de anos o registro fóssil sugere que Paranthropus robustus era muito mais comum do que o Homo erectus.”

// BBC

 

 

COMPARTILHAR

DEIXE UM COMENTÁRIO:

Oxford testa ivermectina como possível tratamento contra covid-19

Universidade quer verificar se medicamento antiparasitário pode trazer benefícios a infectados pelo coronavírus e evitar hospitalizações. Remédio é defendido por Bolsonaro como parte do chamado tratamento precoce. A Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirmou nesta …

Aquecimento global fará milhões de vítimas, diz texto da ONU

Dezenas de milhões de pessoas deverão sofrer de fome, seca e doenças nas próximas décadas devido às mudanças climáticas, segundo rascunho de relatório de 4 mil páginas preparado por painel de especialistas. As mudanças climáticas irão …

Blocos flutuantes podem indicar que Vênus está geologicamente ativo

Uma equipe internacional de cientistas descobriu que a superfície de Vênus possui um manto gelatinoso, com pedaços sólidos de crosta flutuando e se movimentando como blocos de gelo. Para os especialistas, esta atividade fornece possíveis indicações …

Fábrica russa eliminará deficiências na produção da Sputnik V de acordo com recomendações da OMS

Em resultado de inspeções efetuadas na Rússia, o grupo de especialistas da Organização Mundial da Saúde fez várias observações sobre a fabricação da vacina Sputnik V. Estas são ligadas principalmente à proteção do meio ambiente …

Brasil ultrapassa Índia e volta a ser líder mundial em mortes diárias por coronavírus

Em meio ao avanço da terceira onda da pandemia, o Brasil ultrapassou a Índia e voltou à liderança do número de mortes diárias por covid-19 registradas, em média. São mais de 2.000 óbitos registrados por …

Rajadas rápidas de rádio ajudarão a mapear distribuição de matéria no universo

O novo levantamento dos dados coletados pelo radiotelescópio CHIME (Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment) resultou em mais de 500 rajadas rápidas de rádio devidamente catalogadas, todas feitas durante o primeiro ano de atuação do telescópio. Agora, …

Lider da UE chama lei húngara anti-LGBT de vergonha

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirma que vai usar poderes de que dispõe para garantir direitos de todos os cidadãos do bloco. Países pediram à UE que agisse. A presidente da Comissão Europeia, …

Apesar de ter vacinado mais da metade da população, Israel teme 2ª onda de Covid

O primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, alertou nesta terça-feira que o país pode enfrentar uma nova onda de coronavírus. Segundo ele, o aumento do número de doentes, causado pela chegada da variante Delta, “importada” por …

Cientistas resolvem enigma de esculturas de pedra de 3.200 anos da Turquia

Um recente estudo permitiu descobrir finalmente o significado e a função dos relevos em pedra criados há 3.200 anos no santuário de Yazilikaya, na Turquia, após 200 anos de conjeturas. No século XIII a.C., a alguns …

EUA não devem esperar retomada do diálogo com Pyongyang, diz irmã de Kim Jong-un

As expectativas de retomada do diálogo entre os EUA e a Coreia do Norte são erradas, podendo levar a uma "decepção ainda maior", declarou a irmã do líder norte-coreano. Na terça-feira (22), Kim Yo Jong, alta …