Desvendado o mistério das Cataratas de Sangue da Antártida

(dr) Peter Rejcek

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As misteriosas Cataratas de Sangue (“Blood Falls”) estão localizadas no Lago Bonney, na Antártida e são conhecidas devido à água avermelhada que mancha o enorme Glaciar Taylor, que se estende por 100 quilômetros através dos Montes Transantárticos.

Segundo os especialistas, quando o glaciar se estendia pelo continente há milhões de anos, prendeu um lago pequeno salgado sob várias camadas de neve e gelo. Deste modo, a água se tornou cada vez mais concentrada, até ficar salgada demais para congelar a temperaturas normais.

Inicialmente, os cientistas pensavam que algas vermelhas eram as responsáveis pela cor da água, mas agora sabe-se que a coloração é o resultado, na verdade, de uma água salgada rica em ferro que oxida ao entrar em contacto com o ar, tal como a ferrugem.

Agora, um grupo de cientistas da Universidade do Alasca conseguiu finalmente descobrir de onde vem toda aquela água, através de um método chamado RES (radio-echo sounding).

A equipe movimentou as antenas do radar RES através do glaciar em um padrão de grade, revelando uma imagem do que estava debaixo do gelo – e concluiu que Taylor esconde uma rede de fendas onde o sal é injetado no gelo sob imensa pressão.

Depois, os cientistas investigaram o caminho de 300 metros que o sal faz pelos canais, até chegar ao topo das Cataratas de Sangue.

A descoberta também explica como é que água líquida – mesmo sendo super-salgada – consegue fluir através de um glaciar extremamente frio.

“Apesar de parecer estranho, a água liberta calor à medida que congela e esse calor aquece o gelo mais frio”, afirma a cientista Erin Pettit, coautora do estudo publicado no Journal of Glaciology.

Mas este lago salgado não é tão morto como se pensava. Estudos anteriores já tinham concluído que é o lar de algumas bactérias extremamente resistentes que, como estão isoladas do mundo há milhares de anos, não tinham nada com que se alimentar, exceto sulfato de sódio.

Essas bactérias, presas sob o glaciar, sem luz e oxigênio, começaram a reciclar o sulfato de sódio, reduzindo-o a sulfito – que reage com o alto teor de ferro da água, produzindo mais sulfato para se alimentarem.

Os cientistas pensam que esta adaptação surpreendente pode não ser limitada ao glaciar Taylor e é um exemplo de sobrevivência a longo prazo sob o gelo.

// ZAP

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