Gravação revela desespero e choro de crianças imigrantes nos EUA

Um registro de áudio com o choro de crianças imigrantes chamando pelos pais, retidas pela polícia de imigração dos EUA, foi tornado público, agravando o descontentamento com Donald Trump, que acusa os democratas pela lei que permite a situação.

A gravação reproduzida acima foi divulgada pela empresa de jornalismo investigativo norte-americana ProPublica que assegura: foi feita no interior de uma instalação da alfândega norte-americana, na fronteira dos EUA.

As vozes ouvidas são de crianças que choram e chamam pelos pais, depois de terem sido separadas deles na fronteira entre o México e os EUA, como revela a ProPublica.

Mais de 2.300 crianças migrantes foram separadas dos pais desde maio, quando entrou em vigor a política de imigração de Trump de “tolerância zero”, de acordo com dados da ProPublica. “Mais de 100 crianças têm menos de 4 anos”, refere o veículo.

A entidade nota que a gravação foi feita na semana passada por alguém não identificado, que a entregou à advogada dos direitos civis Jennifer Harbury. Foi ela que enviou o áudio à ProPublica, aponta a CNN, frisando que não conseguiu confirmar os dados.

Na gravação, é possível ouvir o que seria um agente de imigração comparando o choro das crianças a uma “orquestra”. “Só falta o maestro”, disse enquanto o choro infantil continua.

A nova gravação dá uma nova intensidade à polêmica que já levou até Melania Trump, a mulher do presidente dos EUA, a confessar seu desagrado com a situação.

Mas Trump continua firme na sua política de imigração e até culpa os democratas pela lei que permite separar pais e filhos, “alegando que se concordarem com um compromisso de imigração, a prática pode acabar”, refere a CNN.

“Nenhuma Lei exige que as famílias sejam separadas”

O discurso da administração Trump vai no sentido de que a separação de crianças dos pais seria motivada por uma lei aprovada por Bill Clinton, em 1997, e que teria sido mantida pela administração de Barack Obama.

Mas o New York Times reforça que, “contrariamente aos testemunhos públicos do presidente, nenhuma lei exige que as famílias sejam necessariamente separadas na fronteira”.

O que acontece é que a política de “tolerância zero” imposta por Trump coloca “todos os imigrantes ilegais como criminosos“, o que leva à remoção das crianças de seus cuidados e à sua entrega à custódia do Estado.

O chamado “Acordo Flores”, aprovado por Bill Clinton em 1997, define que “as crianças sem acompanhamento que sejam flagradas na fronteira só podem ser retidas em detenção imigrante até 20 dias (o que foi, mais tarde, expandido para incluir crianças acompanhadas dos pais)”, refere o canal ABC7 Chicago. Após esse período, as crianças devem ser entregues aos pais, a familiares ou a outros cuidadores.

Em 2008, George W. Bush aprovou a Lei de Reautorização da Proteção às Vítimas do Tráfico, determinando que os menores sem acompanhamento deveriam ficar sob a tutela do Estado até serem “realocados”, em um período de três dias.

Em 2016, durante a administração de Barack Obama, um tribunal determinou que todas as crianças imigrantes retidas na fronteira com os pais deveriam ser libertadas,  destaca o ABC7 Chicago.

Apesar disso, Trump tem insistido que não pode fazer nada contra a separação de crianças e pais, frisando que só o Congresso tem esse poder – algo que não impediu o presidente norte-americano de conseguir reverter outras leis aprovadas pelos democratas, como a do Serviço Nacional de Saúde de Obama (o Obamacare) e o Princípio da Neutralidade da Rede.

Enquanto isso, “dois terços dos norte-americanos reprovam” a política, enquanto 28% aprova, segundo uma pesquisa realizada pela CNN antes da divulgação do áudio.

Entre os republicanos, 58% estão com Trump na questão da separação das crianças dos pais, destaca a emissora.

Apesar disso, há quem alerte Trump de que “ninguém gosta dessa política”, como é o caso da sua conselheira Kellyanne Conway, que declarou isso publicamente, “como mãe, como católica, como alguém com uma consciência”.

Ciberia // ZAP

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