“Milagre” de São Francisco de Assis pode ter acontecido mesmo

Albert Chevallier Tayler (1862–1925)

Pintura de São Francisco de Assis

Uma equipe de cientistas confirmou a idade e o conteúdo de um saco de pão velho que está no centro de um “milagre” atribuído a São Francisco de Assis, em 1224. A análise científica reforça, assim, o mito medieval em torno do Santo.

Conta o “milagre” que, em 1224, apareceu um saco de pão à porta do Convento de Folloni, perto de Montella, na Itália. Era uma noite de inverno particularmente fria e a fé diz que o saco foi levado por um anjo a pedido de São Francisco de Assis que estava, naquela época, na França.

Nesse Convento de Folloni, estão preservados, em um relicário, os fragmentos têxteis desse saco de pão, guardados em um santuário bem protegido, como testemunhos do “milagre”.

Uma equipe de pesquisadores dinamarqueses, italianos e holandeses teve oportunidade de analisar esses vestígios, sob a liderança do professor Kaare Lund Rasmussen, especialista em análise arqueo-química da Universidade do Sul da Dinamarca.

Os resultados do estudo foram publicados no jornal Radiocarbon e revelam que parte do saco de pão foi usado como toalha de altar, durante 300 anos. Outra parte foi cortada em vários pedaços que foram então cedidos a outras instituições religiosas italianas.

Após um terremoto em 1732, foi construído um novo convento e os fragmentos ficaram guardados entre quatro paredes até que, em 1807, foram transferidos para uma igreja. Em 1817, metade do tecido foi devolvido ao convento e, em 1999, voltou ao local de origem a outra metade.

Hoje em dia, os vestígios têxteis do saco de pão estão guardados em um relicário.

As análises realizadas pelos pesquisadores revelaram que o têxtil data de 1220 a 1295, o que é consistente com o “milagre”, conta o químico Kaare Lund Rasmussen em comunicado da Universidade dinamarquesa ao Archaeology News Network.

Os pesquisadores procuraram também vestígios de pão no saco, tendo detectado sinais de ergosterol, um tipo de colesterol que se encontra em vários tipos de mofo e que é considerado um potencial biomarcador. Este dado indicia que “provavelmente havia pão no saco”, frisa Rasmussen.

“Não sabemos quando, mas parece improvável que tenha sido depois de 1732, quando os fragmentos do saco foram emparedados para serem protegidos. É mais provável que o pão tenha estado em contato com o têxtil nos 300 anos anteriores a 1732, período em que o têxtil foi utilizado como toalha de altar”, diz o cientista.

“Ou talvez tenha sido, de fato, na fria noite do inverno de 1224. É possível“, conclui Rasmussen.

No artigo científico sobre a pesquisa, os pesquisadores realçam que a ciência “não pode provar uma lenda ou crença. O que pode fazer é ou desautenticar o objeto ou mostrar a concordância entre as provas físicas/químicas e a lenda”.

Entretanto, os cientistas não abordaram como o saco foi parar na porta do convento. Mas essa parte do “milagre” cabe mais à crença do que à ciência.

Ciberia // ZAP

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