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A jornalista búlgara Viktoria Marinova investigava casos de corrupção
As autoridades da Bulgária confirmaram a prisão nesta terça-feira (9) de um suspeito no caso do estupro seguido de assassinato da apresentadora de televisão Viktoria Marinova. Ela é a terceira jornalista abatida na Europa em menos de um ano.
A polícia está investigando o álibi apresentado pelo detido, romeno de origem ucraniana. “Por enquanto ainda não podemos dizer com certeza de que se trata de um suspeito”, ponderou o chefe da polícia regional, Teodor Atanasov.
O cadáver da jornalista búlgara, que trabalhava para o canal de televisão local TVN, foi encontrado no sábado (6) em um parque de Ruse, cidade do norte do país. Segundo o Ministério do Interior, ela foi estuprada, recebeu uma pancada na cabeça e foi estrangulada.
Os investigadores analisam todas as pistas, tanto vinculadas à sua vida pessoal como à profissional. A jornalista de 30 anos era apresentadora de um programa sobre assuntos sociais de Ruse, um grande porto sobre o rio Danúbio, na fronteira com a Romênia.
Mas o ministro búlgaro do Interior, Mladen Marinov, declarou na segunda-feira (8) que ainda não é possível estabelecer algum tipo de ligação entre o crime e as atividades jornalísticas de Viktoria Marinova.
Na última transmissão deste programa, em 30 de setembro, houve uma entrevista com dois famosos jornalistas investigativos, o búlgaro Dimitar Stoyanov, e o romeno Attila Biro, que estão apurando possíveis fraudes nos subsídios da União Europeia (UE). As denúncias levantadas poderiam envolver empresários e políticos do país.
O assassinato foi condenado provocou uma onda de indignação na Europa. Em um comunicado, a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pediu que uma “investigação séria e aprofundada seja feita para identificar os autores desse assassinato odioso”.
A entidade também pediu que os jornalistas do canal TVN que estavam trabalhando nas mesmas reportagens que Viktoria Marinova sejam colocados sob proteção da polícia.
Na última classificação da ONG sobre a liberdade de imprensa, a Bulgária ficou na 111ª posição em um total de 180 países, de longe a pior da UE, visto que é acusada regularmente pela corrupção de seu entorno midiático, que viola a liberdade de imprensa.
Viktoria Marinova é a terceira jornalista assassinada em menos de um ano em um país da União Europeia. Em outubro de 2017, a maltesa Daphne Caruana Galizia, de 53 anos, morreu vítima da explosão de seu carro. Em fevereiro deste ano foi a vez do eslovaco Jan Kuciak, de 27 anos, ser executado com sua mulher. Ambos estavam trabalhando em reportagens investigativas sobre corrupção.
A morte de Kuciak provocou uma onda de manifestações na Eslováquia, que resultou na queda do chefe do governo, Robert Fico, e dois de seus ministros.
// RFI