Reino Unido pós-Brexit fecha portas para imigrantes pouco qualificados

No Reino Unido pós-Brexit, os estrangeiros que quiserem obter um visto de trabalho no país vão ter que provar muitas habilidades.

Os candidatos receberão pontos de acordo com seu nível de inglês, diploma e profissão e uma proposta de emprego com um salário mínimo anual de £ 25.600 (cerca de R$ 145.000). Quanto mais pontos, mais chances de obter o visto.

O novo sistema de imigração do Reino Unido “por pontos” entrará em vigor em 1° de janeiro de 2021, após a saída efetiva do bloco da União Europeia. O projeto foi detalhado pelo governo britânico em um documento divulgado nesta terça-feira (19).

Sem ambiguidades, o país vai priorizar os estrangeiros com um maior nível de educação em detrimento dos “trabalhadores pouco qualificados”. “Nós respondemos às prioridades dos cidadãos através da introdução de um novo sistema de pontuação que reduzirá o número de imigrantes”, disse a ministra do Interior, Priti Patel.

Trata-se de um “momento histórico” que “põe fim à livre circulação” de pessoas, afirmou. Os cidadãos europeus e não europeus serão tratados “igualmente”. O visto será atribuído somente aos candidatos que superarem um nível de pontos e responderem aos critérios obrigatórios: falar inglês e ter uma oferta de emprego de uma empresa autorizada pelo governo.

“Os vistos serão concedidos apenas aos que tenham pontos suficientes”, afirmou o comunicado. O objetivo é “priorizar os melhores talentos”, como “cientistas, engenheiros e estudantes universitários”. No entanto, o nível de estudos exigidos foi reduzido de um diploma de bacharelado para o equivalente ao Enem, para permitir “maior flexibilidade”.

O ministério estima que o projeto responde à “mensagem clara” enviada pelo povo britânico no referendo de 2016 sobre o Brexit e nas eleições legislativas de dezembro. O impacto da chegada em massa de imigrantes de outros países da União Europeia foi uma das questões centrais das campanhas dessas duas consultas populares. Com o novo sistema, o Reino Unido quer acabar com sua dependência dessa “mão de obra barata” europeia e diminuir o número de imigrantes.

Estas exigências suscitaram preocupações nos serviços públicos britânicos, como os serviços de saúde (NHS), que funcionam graças a trabalhadores estrangeiros muitas vezes mal remunerados. O Ministério do Interior considera que 70% da força de trabalho europeia atual é pouco qualificada e não responderia às novas exigências. Nenhum programa específico foi previsto para acolher esses trabalhadores no futuro.

O visto de estudante também seguirá um sistema de pontuação para “talentos de todo o mundo”, com a condição de que tenham recebido uma proposta de um estabelecimento britânico, falem inglês e possam custear sua estada.

Os cidadãos da UE e de outros países que têm acordos com o Reino Unido não precisarão de vistos para viagens inferiores a seis meses.

// RFI

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