Valter Campanato / Agência Brasil

O presidente da República, Michel Temer, faz pronunciamento oficial no Palácio do Planalto
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin retirou há pouco parte do sigilo das delações premiadas dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS, controlador do frigorífico Friboi.
A medida foi tomada após o ministro homologar os depoimentos, firmados com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O Supremo enviou no fim da tarde desta quinta-feira uma das gravações que integram a delação premiada da JBS à Presidência da República. No início da noite, o conteúdo também foi liberado para a imprensa.
Ouça o áudio aqui:
Antes da decisão que derrubou o sigilo, o jornal O Globo antecipou o conteúdo dos depoimentos. Segundo a reportagem, em encontro gravado em áudio pelo empresário Joesley Batista, o presidente Michel Temer teria sugerido que se mantivesse pagamento de mesada ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e ao doleiro Lúcio Funaro para que estes ficassem em silêncio.
De acordo com a reportagem, outra gravação feita por Batista diz que o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), teria pedido R$ 2 milhões ao empresário. O dinheiro teria sido entregue a um primo de Aécio. A entrega foi registrada em vídeo pela Polícia Federal, que rastreou o caminho do dinheiro e descobriu que o montante foi depositado em uma conta da empresa do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).
Respostas
Ainda ontem, a Presidência da República divulgou nota na qual informa que o presidente Michel Temer “jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha”, que está preso em Curitiba, na Operação Lava Jato.
Em pronunciamento à nação nesta tarde, Temer afirmou que não irá renunciar ao cargo e exigiu uma investigação rápida na denúncia em que é citado, para que seja esclarecida. “Não renunciarei. Repito não renunciarei”, disse.
Em nota, a assessoria de Aécio Neves disse que o senador “está absolutamente tranquilo quanto à correção de todos os seus atos. No que se refere à relação com o senhor Joesley Batista, ela era estritamente pessoal, sem qualquer envolvimento com o setor público. O senador aguarda ter acesso ao conjunto das informações para prestar todos os esclarecimentos necessários”.
Ciberia // Agência Brasil