Trump diz que não deseja uma guerra com o Irã

Gage Skidmore / Flickr

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Presidente sugere que Teerã está por trás de ataque à refinaria saudita, mas evita fazer acusação direta e diz que os EUA não vão descartar via diplomática para lidar com a crise.

O presidente Donald Trump declarou nesta segunda-feira (17/09) que o Irã parece estar por trás do ataque a instalações petrolíferas da Arábia Saudita, que foi oficialmente reivindicado por rebeldes iemenitas houthis. Mas o americano também disse que “gostaria de evitar uma guerra” com os iranianos.

Ao falar com jornalistas na Casa Branca, Trump foi questionado se a inteligência americana acredita que o ataque, que afetou 5% da produção global de petróleo, teve participação iraniana. “Parece que sim, ainda vamos dizer”, afirmou o presidente, evitando dar uma confirmação definitiva, ao contrário do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que no domingo acusou diretamente Teerã pelo ataque.

Não quero guerra com ninguém (…) Certamente gostaríamos de evitá-la“, disse Trump a jornalistas na Casa Branca ao ser perguntado sobre um possível conflito bélico entre os EUA e o Irã.

Além disso, o presidente americano descartou que a via diplomática esteja fora da mesa. “Não, nunca se esgotou. Nunca se sabe o que vai acontecer. Sei que querem entrar em acordo, em algum momento funcionará”, disse ele, em referência à queda de braço entre Washington e Teerã em relação ao programa nuclear iraniano.

Trump também disse que os EUA estão “mais bem preparados” que o Irã, por terem “os melhores sistemas de armas do mundo”. “Temos um nível muito alto de munição. Estávamos em um nível muito baixo quando cheguei”, destacou.

As declarações foram feitas por Trump ao lado do príncipe herdeiro do Bahrein, Salman bin Hamad al Khalifa, em cujo reino fica a base da 5° Frota americana.

As declarações de Trump ocorreram logo depois de os sauditas afirmarem que investigações preliminares conduzidas pelo reino apontarem que “as armas usadas no ataque eram armas iranianas”. Mas, assim como Trump, os sauditas também evitaram culpar diretamente o Irã.

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, se limitou a afirmar que as ameaças do Irã contra o país não afetam somente a região do Oriente Médio. Ele também anunciou a abertura de uma investigação sobre os ataques do sábado contra refinarias da petrolífera estatal Aramco.

“As ameaças iranianas não são dirigidas somente para o reino, mas seus efeitos atingem o Oriente Médio e o mundo”, disse Bin Salman em conversa com o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Mark Esper, segundo a agência de notícias estatal SPA.

Esta foi a primeira reação oficial de um integrante do governo saudita após os ataques do sábado. Os rebeldes houthis que dominam parcialmente o Iêmen, apoiados pelo Irã, reivindicaram a autoria da ação no noroeste da Arábia Saudita.

Em paralelo, a agência publicou o comunicado do Ministério de Relações Exteriores da Arábia Saudita. Na nota, o país também não acusa diretamente o Irã de lançar esse ataque e anuncia que vai convidar especialistas internacionais e da ONU para participar das investigações.

“O reino vai tomar todas as medidas oportunas à luz dos resultados dessas investigações, de modo que garanta nossa segurança e nossa estabilidade. (…) Foi um ataque contra o fornecimento de energia mundial e é uma extensão dos atos hostis anteriores aos que foram expostos usinas de bombeamento da Aramco usando armas iranianas”, afirmou a nota.

Horas antes, o porta-voz da coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita, Turki al Maliki, afirmou em entrevista coletiva que as armas eram iranianas. O país ainda investiga de onde os drones usados no ataque partiram, mas Maliki descarta que a origem seja o Iêmen, como reivindicam os houthis.

O Irã nega a autoria dos ataques, e o presidente iraniano, Hassan Rouhani, disse que a agressão foi conduzida pelo “povo iemenita” em retaliação aos ataques da coalizão liderada pelos sauditas na guerra do Iêmen, que já dura quatro anos.

O ataque contra duas refinarias da petrolífera saudita, a maior do mundo, afetaram a produção, reduzida em 5,6 milhões de barris por dia. O corte teve impacto direto no mercado, fazendo os preços do petróleo dispararem.

O conflito do Iêmen começou no fim de 2014, quando os houthis invadiram a capital do país, Sana, e depuseram o presidente Abdo Rabbo Mansour Hadi, hoje exilado na Arábia Saudita.

Os sauditas e seus aliados árabes intervêm militarmente no conflito desde março de 2015 para tentar derrotar os houthis e recolocar Hadi no poder.

// DW

COMPARTILHAR

DEIXE UM COMENTÁRIO:

Como brasileiros driblam a alta dos preços dos alimentos

Inflação mudou os itens nos carrinhos de supermercado e chegou a afetar a popularidade de Lula. Famílias de diferentes bairros de São Paulo contam sobre sua forma de lidar com a situação. "Driblar os preços." É …

Como Alzheimer deixou ator Gene Hackman sozinho em seus últimos dias: 'Era como se vivesse em um filme que se repetia'

O ator Gene Hackman estava sozinho em sua casa, na cidade de Santa Fé, Novo México, nos EUA, quando faleceu. A estrela de Hollywood, com duas estatuetas do Oscar, não fez uma única ligação e não …

Fenômeno misterioso no centro de galáxia pode revelar nova matéria escura

Pesquisadores do King's College London apontaram, em um novo estudo, que um fenômeno misterioso no centro da nossa galáxia pode ser o resultado de um tipo diferente de matéria escura. A matéria escura é um dos …

ONU caminha para 80 anos focando em reformas e modernização

O líder das Nações Unidas, António Guterres, anunciou o lançamento da iniciativa ONU 80 que quer atualizar a organização para o século 21. Na manhã desta quarta-feira, ele falou a jornalistas na sede da ONU que …

Premiê português cai após denúncia de conflito de interesses

Luís Montenegro perdeu voto de confiança no Parlamento, abrindo caminho para novas eleições. Denúncia envolve pagamentos de uma operadora de cassinos a empresa de consultoria fundada por político. O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, e sua …

Como a poluição do ar em casa afeta a saúde e piora doenças respiratórias

Um levantamento feito em 2024 pela associação Santé Respiratoire France, a pedido da empresa francesa Murprotec, uma das maiores do setor, mostrou que a poluição em ambientes fechados é até nove vezes maior do …

1ª mulher presidente no STM: “Se chegarem denúncias sobre o 8 de janeiro, vamos julgá-las”

Em entrevista à Agência Pública, Maria Elizabeth Rocha, fala de golpe, Justiça Militar e extremismo nas Forças Armadas. O caminho da ministra do Superior Tribunal Militar (STM) Maria Elizabeth Rocha até a presidência da Corte, no …

Fim do Skype: veja 7 apps para fazer chamadas de vídeo

A Microsoft anunciou que o Skype será desativado em 5 de maio de 2025, depois de mais de 20 anos de serviço. Depois do encerramento da plataforma, os usuários poderão migrar para o Microsoft Teams …

O que aconteceu nos países que não fizeram lockdown na pandemia de covid

Em março de 2020, bilhões de pessoas olhavam pelas janelas para um mundo que não reconheciam mais. De repente, confinadas em suas casas, suas vidas haviam se reduzido abruptamente a quatro paredes e telas de …

Iniciativa oferece 3,1 mil bolsas para mulheres em programação e dados

Confederações de bancários e Febraban anunciaram vagas em três cursos. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e as confederações de bancários – como a Contraf e o Contec – anunciaram nesta terça-feira (11) a oferta …