Civilização industrial do tempo dos dinossauros é procurada por cientistas

University of Rochester illustration / Michael Osadciw

Ilustração da “Hipótese Siluriana”, teoria que analisa potencial civilização industrial anterior à nossa

Seres reptilianos e inteligentes chamados Silurianos viveram na Terra, muito antes de a humanidade aparecer. Certeza na ficção científica de “Doctor Who”, hipótese teórica de uma pesquisa que envolve o diretor do Instituto Goddard da NASA para os Estudos Espaciais – que analisa a possibilidade de encontrarmos uma eventual civilização industrial anterior à nossa.

A investigação, realizada por Gavin A. Schmidt, climatólogo e diretor do Instituto Goddard da NASA para os Estudos Espaciais (GISS), e por Adam Frank, professor de Astronomia e de Física da Universidade de Rochester, nos EUA, aborda a possibilidade de ter existido uma civilização industrial antiga, especulando como poderemos encontrar provas de sua existência.

Formas de vida complexas existem na Terra há cerca de 400 milhões de anos, enquanto a civilização industrial humana tem apenas cerca de 300 anos. Esse cenário levanta a possibilidade de ter existido, muito antes de a humanidade aparecer, outra civilização inteligente e não humana.

É assim que os cientistas contextualizam o que chamam de “Hipótese Siluriana”, em referência ao “velho episódio do Doctor Who com répteis inteligentes”, como explica Adam Frank em artigo publicado no The Atlantic.

O professor de astronomia se refere a episódios da série de ficção científica britânica “Doctor Who”, que foram exibidos nos anos de 1970, que tinha os répteis bípedes e inteligentes chamados Silurianos como protagonistas.

Na história fictícia, os silurianos teriam evoluído na Terra há entre 443 a 416 milhões de anos, entrando depois em estado de hibernação, para evitar as catástrofes do planeta, e “acordando” devido a uma experiência nuclear secreta em uma mina escocesa.

A “pegada geológica”

Os cientistas não encontraram “nenhuma evidência de outra civilização industrial” além da nossa, e se depararam com mais perguntas que respostas.

Perceber que pegadas geológicas deixam as civilizações e se é possível detectar uma civilização industrial no registro geológico, depois de seu desaparecimento da face da Terra, são algumas das questões abordadas no estudo publicado esta semana no International Journal of Astrobiology.

A “Hipótese Siluriana” define uma civilização pelo uso da energia, e Schmidt e Franck partem do conceito do Antropoceno, a nova era humana que vivemos presentemente, segundo a teoria de alguns cientistas.

O Antropoceno é caracterizado pela forte marca da atividade humana no clima e no meio ambiente, com os combustíveis fósseis a serem definidos como a grande “pegada geológica” dos humanos.

Analisando as evidências que os futuros cientistas poderão encontrar do Antropoceno, daqui a milhões de anos, os pesquisadores traçaram os tipos de vestígios que uma civilização industrial antiga poderia ter deixado.

“Os seres humanos começaram a queimar combustíveis fósseis há mais de 300 anos, marcando o início da industrialização“, refere o comunicado sobre o estudo divulgado pela Universidade de Rochester. “A emissão de combustíveis fósseis para a atmosfera já alterou o ciclo do carbono de uma forma que está registrada nos isótopos de carbono.”

Mas a “pegada geológica” humana pode ser também detectada devido ao aquecimento global, à agricultura, à contaminação por plásticos e à guerra nuclear.

“O uso extensivo de fertilizante, por exemplo, mantém 7 bilhões de pessoas alimentadas, mas também significa que redirecionamos os fluxos de nitrogênio do planeta para a produção alimentar”, explica Franck , realçando que “futuros cientistas devem ver isso nas características do nitrogênio que vai aparecer nos sedimentos da nossa era”.

“Até o uso de esteroides sintéticos se tornou tão generalizado, que também poderia ser detectado em estrato geológico daqui a 10 milhões de anos“, acrescenta.

É para esse tipo de indício que se deve olhar para procurar essa tal civilização industrial antiga, mas Franck avisa que “seria muito fácil” não detectá-la, caso tenha “durado apenas 100 mil anos, o que já seria 500 vezes mais que a nossa civilização industrial conseguiu até agora”.

O curioso é que nem Schmidt, nem Franck acreditam que essa civilização antiga possa ter existido, mas só o fato de se questionar se ela existiu permite analisar os tipos de impacto que uma civilização pode ter na Terra. E isto leva à problemática das alterações climáticas.

Irônico é que quanto mais uma civilização atuar de forma sustentável, e portanto com menor impacto energético no planeta, menos “pegadas” de sua existência deixaria para as futuras gerações, atestam os cientistas.

Mas a principal conclusão do estudo é que a queda de civilizações pode ser o gatilho para dar início a civilizações futuras, abrindo também novas teorias e ideias para a procura sinais de vida extraterrestre.

A pesquisa “abriu a possibilidade especulativa de que alguns planetas podem ter ciclos de construção e de queda de civilizações impulsionados pelos combustíveis fósseis“, atesta Franck no The Atlantic.

“Se uma civilização usa combustíveis fósseis, as alterações climáticas iniciada podem levar a um grande decréscimo nos níveis de oxigênio no oceano. Esses níveis baixos de oxigênio – chamados anoxia do oceano – ajudam a desencadear as condições necessárias para fazer combustíveis fósseis como o petróleo e o carvão”, atesta o cientista.

Ele conclui que, desse modo, uma civilização e seu desaparecimento “podem semear novas civilizações no futuro”.

Ciberia // ZAP

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