Mau humor pode ser sinal de algo (muito) mais sério do que um estado mental negativo

Ninguém gosta da sensação de estar em um estado emocional negativo, mas esse estado de tristeza pode representar algo muito mais sério em termos de saúde geral, sugere um novo estudo.

Os pesquisadores descobriram que o mau humor das pessoas registrado ao longo do dia estava associado a níveis mais altos de inflamação – a resposta imunológica natural do corpo a lesões e infecções, mas que também é uma característica comum de problemas de saúde e doenças crônicas.

Até agora, segundo o artigo publicado em novembro de 2018 na revista Brain, Behavior, and Immunity, a maioria das pesquisas que estudam as ligações entre o efeito negativo e os marcadores de inflamação se focaram no “efeito evocado”, onde os participantes do estudo relataram retrospectivamente seu humor com um questionário padrão.

“Muitas nuances com relação à forma do efeito e a inflamação estão relacionados estão inexploradas”, explicam os autores, liderados por Jennifer Graham-Engeland, pesquisadora de saúde bio-comportamental. “Até onde sabemos, ninguém examinou o grau em que os métodos de avaliação ou o tempo modificam a associação entre efeito e inflamação.”

De acordo com os pesquisadores, as medidas recordadas de efeito, depois de o tempo passar, são suscetíveis à memória e podem ser influenciadas por fatores de personalidade, enquanto avaliações momentâneas em tempo real são pensadas para oferecer uma maneira melhor de capturar experiências afetivas.

Com isso em mente, Graham-Engeland e sua equipe juntaram 220 participantes na sua amostra e avaliaram seu humor cinco vezes por dia ao longo de duas semanas.

Alertados pelos smartphones, cada um dos participantes avaliaria até que ponto se sentiam positivos, assinalando um dos itens feliz, satisfeito, divertido e alegre, ou negativo – tenso, ansioso, irritado, hostil, deprimido, frustrado e infeliz.

Além dessas autoavaliações, os participantes também tiveram que relatar seu humor no final do estudo. Os pesquisadores retiraram amostra de sangue para determinar os níveis de citocinas inflamatórias no plasma sanguíneo.

Ao analisar o estudo de duas semanas, os pesquisadores não encontraram associação entre medidas recordatórias ou momentâneas de efeito negativo ou positivo e marcadores de inflamação.

Mas quando analisaram apenas a última semana da experiência, houve uma associação com efeito negativo (NA) que os pesquisadores atribuem à “proximidade temporal” do sangue que está sendo recolhido no final do estudo.

“Considerando o NA momentâneo agregado da semana 1 não foi associada com qualquer biomarcador, mas na semana 2 foi significativamente associada com níveis mais altos de 7-citoquina”, escrevem os autores.

“Essas são as primeiras análises que mostram associações significativas entre o NA momentâneo agregado da vida diária e subsequentemente a inflamação periférica.”

Parece haver pelo menos alguma relação entre os humores negativos diários e os marcadores de inflamação que podem ser indicadores de problemas de saúde e doença. “Esperamos que esse estudo leve os cientistas a estudar os mecanismos subjacentes às associações entre efeitos e inflamação”, diz Graham-Engeland.

“Esperamos que as descoberdas estimulem estudos para entender a ligação, o que pode promover intervenções psicossociais que promovam a saúde de forma ampla e ajudem a quebrar um ciclo que pode levar a inflamação crônica, incapacidade e doença“.

Ciberia // ZAP

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